sábado, 26 de maio de 2012

METALLICA – ALL THAT MATTERS



Um Livro; um passado que foi dos megashows aos tribunais, e de lá para a reabilitação definitiva; e a melhor banda de rock do mundo... Uma mistura mais que perfeita! E essa combinação finalmente chegou aqui, nessa terrinha dominada pelo funk e o sertanojo...
Trata-se do novo livro do jornalista Paul Stenning (o cara já escreveu biografias de bandas importantes como Iron Maiden, AC/DC e Guns N’ Roses), intitulado Metallica – All That Matters. Uma homenagem mais que merecidas á banda que alcançou três décadas de existência, com mais de 140 milhões de discos vendidos e nove prêmios Grammy.
O livro conta um pouco de como foi a ascensão definitiva, desvenda detalhes do passado, e revela os altos e baixos da banda mais importante do planeta. Recheado de entrevistas inéditas de amigos esquecidos, fãs e até de ex-amantes, o autor disseca tudo e nos entrega o mais completo e revelador book já feito sobre a trajetória dos caras... Era o ingrediente que faltava para os fãs do Metallica desta, e de gerações passadas.
O meu exemplar já está praticamente no gatilho. Com certeza irei apreciá-lo ao som de The Unforgiven e Master of Puppets... Because, after this amazing book, Nothing else Matters!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

RESENHA DE FILME – OS VINGADORES



Adoro quando estou cheio de pessimismo e acabo quebrando a cara. Foi exatamente o que aconteceu comigo ao sair da sessão de “Os Vingadores”, porque simplesmente adorei o filme do começo ao fim. Sim, pois eu já estava cansado de megaproduções cheias de efeitos especiais desnecessários, explosões pra todos os lados, personagens descerebrados e nenhum sinal de roteiro. Este era o pensamento inicial quando resolvi dar mais uma chance aos filmões pipoca e encarar a aventura do gigante verde e sua turma.
O roteiro era minha (e talvez até da coletividade em geral) principal suspeita. Eu explico: primeiro deve-se levar em conta o que já falei: megaproduções como essa dificilmente ganham um bom roteiro. Os produtores parecem mais preocupados apenas com efeitos visuais, a destruição bem elaborada de uma grande cidade, geralmente Nova York, e os personagens exibindo seus superpoderes na telona de forma irrelevante e sem sentido.
O segundo possível problema seria adequar um bom roteiro á elevada quantidade de personagens importantes, ou seja, uma dor de cabeça na qual Hollywood parece querer evitar á todo custo.  Imaginei que encontraria na tela a velha faceta hollywoodiana, que prefere desenvolver roteiros no qual um vilãozinho qualquer surge no pedaço, com intenções de eliminar a humanidade. Aí os heróis se reúnem (sem mais delongas) para acabar com a raça do infeliz. Pronto, temos um filme! Mais fácil que preparar macarrão instantâneo.
Mas para meu espanto, o longa tem história. Não é nada grandioso, é claro, mas convence, coloca os heróis em situações que fazem sentido, e não deixa ninguém de fora da brincadeira.
Na trama, Loki (Tom Hiddleston), que é irmão de Thor (Chris Hemsworth), planeja invadir a terra com a ajuda de uma raça alienígena, para dominar os seres humanos. Com a promessa de que será o soberano da Terra, ele rouba o cubo mágico de dentro da S.H.I.E.L.D., e com isso adquire poderes especiais. Para combater o mal, Nick Fury (Samuel L. Jackson) convoca um grupo de pessoas com habilidades extraordinárias. Grupo no qual jamais havia trabalhado junto antes, o que gera desavenças entre alguns integrantes.
Além do Thor, o time também conta com o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), responsável pelas cenas hilárias; Capitão América (Chris Evans), o filme foi tão bom que até desse herói, que sempre considerei sem-graça, eu gostei; Hulk (Mark Ruffalo), finalmente encontraram um rosto legal para o gigante esmeralda; Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), seguro no papel e mandando umas flechadas legais; Viúva Negra (Scarlett Johansson), única integrante feminina e responsável pela beleza da equipe.
Cheio de bons diálogos, personagens envolventes e cenas de ação muito bem feitas e de tirar o fôlego, “Os Vingadores” entra no topo dos melhores filmes de ação estilo super-heróis já feitos pelo cinema. E para aqueles, que como eu, foram amantes dos quadrinhos na adolescência, aguardem sentados pelo final dos créditos; há uma breve cena que antecede a continuação do filme, e que mostra um personagem, digamos, bem peculiar...

terça-feira, 22 de maio de 2012

RESENHA DE LIVRO - A MENINA QUE NÃO SABIA LER


Foi por um triz que não abandonei este “A menina que não sabia ler”, de John Harding. Sim, porque achei as primeiras páginas um verdadeiro tédio, o que me fez pensar nos reais motivos que me levaram a comprar o livro: poderia ter sido a bela capa, algo tão fundamental quando o propósito é atrair o leito; ou talvez a semelhança do título com o livro “A Menina que Roubava Livros” (em minha opinião isso foi uma bela estratégia de marketing aqui no Brasil, uma vez que, o livro de Markus Zusak foi, e ainda é, um sucesso mundial. Entretanto, na maioria dos países onde o livro de John Harding foi traduzido, ele ficou com o título original: “Florence & Giles”). De qualquer forma, o inicio da aventura da pequena Florence e seu irmão Giles, não agrada á Gregos e Troianos.
Mas a trama melhora, e antes que eu cometesse o “pecado” de descartá-lo, eis que “A Menina que Não Sabia Ler” supera minhas expectativas se tornando uma leitura intrigante, envolvente e sedutora.
A história se passa no século XIX, onde os irmãos órfãos Florence e Giles estão sob a guarda de um tio ausente. Ambos vivem como crianças normais, brincando e perambulando pelos cômodos da misteriosa e decadente mansão Blithe. Até que Florence acaba descobrindo o caminho para a enorme biblioteca da casa, fato que faz com que a pequena assuma os riscos da desobediência e comece, por conta própria, a descobrir as maravilhas de ler.
É a partir deste momento que começa uma série de acontecimentos pelos quais não sabemos se são de fato reais ou apenas frutos da imaginação criativa de uma menina. Em determinado momento da história não é mais possível concluir o que é realidade e o que é fantasia. Aparentemente as coisas parecem confusas e o texto segue com seu mistério até o final, deixando o leitor com aquela sensação de que: ou pegamos no sono em determinado ponto crucial do texto, ou a coisa se misturou tanto que é preciso uma releitura para constatar que não deixamos algum paragrafo revelador passar despercebido (confesso que tive que voltar algumas páginas perto do fim, para ler novamente).
Bom ou ruim, acho que fica á critério de quem leu. Mas como gosto da diversidade de opiniões, deixo aqui a minha em poucas palavras: “A Menina que Não Sabia Ler” vai de ruim á excelente ao longo de suas 282 páginas. E o que mais me incomodou no final, foram as inúmeras questões impostas pelo autor durante a trama, e não respondidas no desfecho. Talvez fosse esse o real propósito de John Harding: deixar as respostas á cargo do leitor. Exatamente como diz a personagem principal, Florence, no primeiro parágrafo da história:
“É uma história curiosa a que tenho de contar, uma história de difícil absorção e entendimento...”.
Boa leitura!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

MATÉRIA: A VERDADE SOBRE A PUTA



Todos nós sabemos que a palavra “puta” está associada á uma terrível ofensa. O que não sabíamos é que isso é coisa que acontece aqui no Brasil, e não se sabe ao certo de onde surgiu a conotação que assemelha o termo “puta” á bagageira, biscate ou meretriz. Ou mesmo em determinados assuntos, onde “puta” serve para enfatizar algo intenso ou extraordinário: “Que puta falta de sorte”; "Puta que o pariu!!".
Mas descobri que a palavra é originária do latim: “puta” significa “poda”, e “putta” significa nada mais do que “menina”. É interessante quando aprendemos que um substantivo feminino tão paradoxal, é na verdade sinônimo de ingenuidade e pureza.
Na língua italiana antiga, que possui enorme influência do latim, “putta” também significa “menina”.  No português europeu, “puto” é um “menino pequeno”. Enquanto na Espanha há um dito popular sobre uma deusa chamada Puta, que nada mais é do que uma divindade agrícola. Nos dias da poda, as sacerdotisas exerciam uma espécie de aviltamento sagrado em honra á deusa. Talvez daí tenha surgido a inversão do termo.
De qualquer forma, a premissa vale pela curiosa informação. E para você mulher, lembre-se deste texto na próxima vez em que se sentir ofendida ou ficar "puta da vida" com uma palavra agressiva, na qual o insultante provavelmente não faz a menor ideia do seu real significado.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

MATÉRIA: CIDADES FANTASMAS


Recentemente li uma matéria sobre lugares assombrados ao redor do mundo, e um dos casos particularmente me fascinou. Trata-se da cidade de Bhangarh – India. Dizem no Rajasthan, onde ficam as ruínas, que o lugar é amaldiçoado. Isso talvez explicasse o fato de que Bhangarh é o único sitio arqueológico da Índia que não tem um escritório do governo. Simplesmente não há funcionários dispostos á trabalhar lá. E mais: as autoridades tiveram o trabalho de deixar um aviso nas proximidades do local, orientando os visitantes para que somente entrem nas ruínas de Bhangarh após o nascer do sol, e saiam antes do mesmo se pôr.
 Estima-se que a cidade tenha sido fundada no século 17 e abandonada cerca de 150 anos mais tarde. Desde então proliferam os boatos sobre fantasmas, aparições e outros fenômenos sobrenaturais.

Ao longo de algumas pesquisas que fiz na internet, constatei que existem várias teorias e lendas á cerca da possível maldição que reina na cidade, assim como o desaparecimento de toda sua população. Mas quase todas as versões narram a história de um bruxo que teria se apaixonado por uma princesa chamada Ratnawati. Depois de algumas frustrações amorosas (são muitas as versões sobre o suposto fracasso amoroso), o tal bruxo lançou sobre o reino de Bhangarh uma terrível maldição. E após sua morte a cidade teria sido saqueada e destruída por conta de guerras contra reinos vizinhos, nunca mais sendo habitada novamente.
Os mais supersticiosos rezam que qualquer pessoa que se atreva á aproximar-se das ruínas durante a noite, nunca mais retorna...
Tai uma excelente dica pra quem ainda não sabe onde passar as próximas férias.

RESENHA DE LIVRO – Resistência


O que dizer do livro de Agnès Humbert, além de apontar toda a intensidade e engajamento da autora? Penso que a dificuldade em avaliar se da ao fato de que este livro nada mais é do que o diário da própria Agnès, escrito durante a ocupação da França pelo exército nazista durante segunda guerra. A impressão que temos é de estar lendo não apenas mais um livro de história da guerra, mas sim, um verdadeiro documentário á cerca da resistência humana, de pessoas que, expostas ao limite do impensável, sobreviveram corajosamente ás atrocidades do holocausto.
Conforme conta seu diário, Agnès juntamente com seus colegas do Museu do Homem em Paris iniciam um dos primeiros movimentos de resistência francesa, que foi o jornal Résistance. Mas a coisa acaba dando errado e o grupo vai parar nas mãos da Gestapo. Fato consumado, Agnès é deportada para a Alemanha e submetida á trabalhos forçados como prisioneira.
É claro que, como se trata de um diário, a autora não tinha como relatar em seu diário, durante o período em que esteve presa. Contudo, assim que fora libertada Agnès se dedicou á registrar tudo que estava em sua memória, dando continuidade ao seu trabalho. Outra questão interessante e curiosa é o fato de os homens da Gestapo não terem conseguido pôr as mãos no diário, uma vez que, obviamente a casa de Agnès Humbert fora minuciosamente revistada quando ela foi presa.
Defino o livro como sendo o trabalho magnífico, de uma mulher motivada pela vontade de eternizar e fazer com que suas memórias não sejam esquecidas jamais. Mesmo após tantos anos nos quais o tempo é sem dúvida um inimigo implacável. Exatamente como diz um dos membros da resistência no livro:
“Que se faça justiça á nossa lembrança após a guerra, é o que basta. Além disso, nossos companheiros do Museu do Homem não nos esquecerão.”


domingo, 22 de abril de 2012

RESENHA DE FILME – FÚRIA DE TITÃS 2


Em se tratando de mitologia grega, um mundo tão rico e vasto, é simplesmente inaceitável que uma produção que se arrisque dentro do tema não saiba aproveitar e tirar bons roteiros. E foi exatamente o que os produtores deste Fúria de Titãs 2 conseguiram: a incrível façanha de entregar ao público uma mitologia grega chata e descerebrada. E os caras se superaram, porque esta continuação consegue (podem acreditar) ser pior do que sua antecessora.
Havia um bom orçamento para o projeto? Com certeza sim, porque as sequencias mirabolantes de efeitos especiais estão lá para provar isso, desde os primeiros minutos de filme.
Havia bons atores? Deixe-me ver: um diretor que pode contar com um elenco que tem Liam Neeson, Ralph Fiennes e Sam Worthington (este último tem sido o atual favorito de Hollywood para mega produções), precisa aprender a aproveitar melhor os talentos que possui á sua disposição.
Havia uma distribuidora descente? Apenas um nome em resposta: Warner.
O que certamente não existia era o interesse em fazer um bom filme, mas sim, a intenção de ganhar dinheiro. Li alguns críticos afirmarem que os efeitos 3D ficaram exatamente como o resto do filme: uma merda!
Como não há uma trama, vou falar do que aparece na telona: Tentando levar uma vida simples de pescador, o semideus e destruidor do Kraken, Perseu (San Worthington), se vê novamente tendo que evitar as confusões sem sentido, protagonizadas pelos deuses do Olimpo. Hades (Ralph Fiennes) e Ares (Edgar Ramirez) fazem um acordo com Kronos para capturar Zeus (Liam Neeson). Cabe ao bravo Perseu, ajudado por outras divindades, ir a socorro de seu pai.
 O filme, como já disse, não tem roteiro, é muito óbvio e cheio de atuações sem um pingo de emoção. E quando aparecem algumas criaturas legais e até bem construídas pelos efeitos especiais, a coisa toda parece que começa e acaba num piscar de olhos. É como assistir á uma bola de boliche que derruba todos os pinos em questão de segundos e sem cerimônia.
Certamente nada disso está sendo um problema para a Warner e seus produtores. Uma vez que, os preços inescrupulosos dos ingressos para as sessões 3D certamente estão garantindo os lucros. E caso esses mesmos lucros consigam alcançar o tamanho do Kronos, certamente seremos enganados em breve com mais uma sequencia. E fazer algo pior será, de fato, o grande desafio. Uma vez que, fazer um filme melhor do que esse é coisinha para amador.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

RESENHA MUSICAL: SOULFLY – ENSLAVED


Recentemente a revista Lithium Magazine publicou uma entrevista com Max Cavalera. E como o Soulfly está de álbum novo, deixei aqui um pouco do que foi o bate-papo com o cara:
Lithium Magazine: Você gravou algumas das músicas mais pesadas durante todo este tempo. Você se preocupa com seus fãs, que sempre acham que seu melhor material veio há mais de vinte anos atrás?
Max: Eu realmente não me preocupo com nada disso. Para mim, estou muito feliz com o que faço. Eu realmente não gosto de comparar as coisas. O que foi feito naquela época é diferente de agora. Estou orgulhoso do que fiz anos atrás, mas também estou orgulhoso do que eu estou fazendo agora. É algo particular, dependendo da forma como você se sinta. O importante é continuar e manter a motivação e continuar gravando discos, até você ficar velho e não pode mais fazer isso.
Lithium Magazine: Você sempre ouve os discos antigos então?
Max: As vezes eu pesquiso as músicas para tocar ao vivo. Estamos pensando em tocar coisas do primeiro EP do Sepultura. "Bestial Devastation" foi feito não sei quantos anos atrás, e estamos pensando em tocar uma música deste EP na nossa nova turnê. Então, eu quero voltar para a diversão, colocá-lo no meu iPod e apenas ouvir as músicas novamente. Eu começo a lembrar da gravação e as vezes tínhamos que pegar o material antigo. Foi muito divertido. Normalmente, eu só ouço músicas de outras pessoas.
Lithium Magazine: Você tem algum plano para "Enslaved" - algo que queria tentar e fazer com que ele se destaque mais em comparação com os últimos sete álbuns do Soulfly?
Max: Eu queria fazer um disco realmente extremo. Eu tenho uma banda muito boa, com a chance de trabalhar com Tony (Campos, baixista) e David (Kinkade, bateria). David é um baterista de death metal e ele pode tocar alguns graves muito legais como double bass e blast beats. Ele trouxe um som mais real e mais death metal para o álbum. Eu remodelei o álbum em torno desta idéia que eu tinha de fazer um registro de death metal que soasse sem ser satânico. Tem letras sobre escravidão e política, são temas interessantes. Eu acho que está bem original. Está bem extremo, eu acho que é o registro mais extremo do Soulfly até hoje. Dos oito álbuns do Soulfly, este é o mais extremo e mais brutal. Eu estou feliz com isso. Eu acho que é legal poder fazer este tipo de álbum, com ele sendo o oitavo disco e quinze anos de carreira, estamos comemorando isso. Este é um grande momento para nós, e "Enslaved" é um grande disco para nós entrarmos em turnê agora.
(Fonte: whiplash.net)

RESENHA MÚSICAL: EPICA – REQUIEM FOR THE INDIFFERENT


Ouvir a deliciosa voz de Simone Simons é sempre um grande prazer! E esta satisfação voltou a se fazer evidente neste mais novo trabalho da banda holandesa, intitulado Requiem for the Indifferent.
Desde 2002, ano de início da banda, o Epica tem provado que seu som está á cada ano mais apurado, e seus integrantes mais experientes. Particularmente não achei que este álbum conseguiu superar seu antecessor, Design Your Universe, que acho o melhor trabalho do Epica, mas de qualquer forma, Requiem for the Indifferent não deixa a desejar. Aqui temos pegadas pesadas em meio aos tradicionais elementos progressivos que se tornaram marca da banda. Adicione os belíssimos corais que o Epica aprendeu a mesclar perfeitamente em suas canções. A voz de Simone continua impecavelmente bela, e aparentemente ela se sente mais confiante ao longo de seus anos á frente da banda. O que só contribui, pois o resultado dessa combinação talento-experiência é um verdadeiro show de timbres apurados e em tons precisos, que agradavelmente acompanham a melodia.
Acredito que ao longo de uma década de carreira, o Epica tenha optado por aprofundar seu metal sinfônico, buscando a excelência dentro de um ritmo que aprenderam a desenvolver como ninguém, em vez de tentar a receita da inovação; um caminho que tem se mostrado tortuoso para outras bandas do mesmo gênero.
Se este tem sido de fato a intenção do Epica, a decisão é por demais, acertada!

terça-feira, 27 de março de 2012

RESENHA DE LIVRO – 3096 DIAS


Enquanto terminava de ler as últimas linhas de 3096 Dias, o nada menos que surpreendente livro de Natasha Kampusch, tinha um nó sufocante em minha garganta por conta da angústia que senti quando cheguei ao desfecho final, no momento em que ela narra como foi difícil, tanto fisicamente quanto psicologicamente, fugir do cativeiro mais longo á que se têm notícias. Contudo, o que mais me perturbava era o sentimento de vergonha que senti, quando descobri que, assim como toda a imprensa que dissecou o caso em busca de sensacionalismo banal, eu também havia comprado este livro com intenções semelhantes: eu imaginava ler a história trágica de uma menina que sofreu as mais terríveis atrocidades e violências, nas mãos de um verdadeiro monstro em traços humanos. Eu queria um livro com conteúdo cinematográfico: uma vítima acuada, um maníaco em potencial, e depois, um final feliz.  
Sim, Natasha de fato vivera os piores anos de sua vida á mercê de um homem completamente desequilibrado, o qual nem mesmo a própria Natasha soube dizer quais os motivos que o levaram a cometer tais atos. Mas assim como tantas, a minha visão também é a de alguém que nunca viveu algo parecido, portanto, não tenho o direito de achar nada sobre o que aconteceu nestes oito anos e meio de cativeiro. E que após ler este livro, me senti envergonhado diante do meu equivoco á cerca da realidade, que embora ainda seja terrível, era bem diferente do clima hollywoodiano á que eu fantasiava que tivesse sido o sequestro. E como não sou digno de nenhuma manifestação, achei melhor deixar que a própria Natasha se expresse:
Após minha fuga, eu nunca abriria mão do bem mais importante: minha identidade. E me apresentei diante das câmeras com meu nome completo e sem disfarces, e ofereci um vislumbre do meu tempo de cativeiro. Mas, apesar de minha franqueza, os meios de comunicação não me deixavam em paz. Eram dezenas de manchetes, e especulações cada vez mais absurdas dominando os noticiários. Parecia que a verdade terrível, não era terrível o bastante, então eles acrescentavam coisas muito além do suportável, negando com isso, minha autoridade como intérprete do que eu vivera.
No cativeiro, resisti a todo o lixo psicológico e ás fantasias obscuras de Wolfgang Priklopil (nome do sequestrador) e não me permiti ser dominada. Agora eu estava do lado de fora, e era isso que as pessoas queriam ver: uma pessoa enfraquecida, que nunca se recuperaria e sempre dependeria da ajuda dos outros. Mas, no momento em que me recusei a carregar a marca de Caim pelo resto da vida, o humor do mundo mudou.
Pessoas muito prestativas, que me enviavam roupas velhas e me ofereciam serviços de limpeza em sua casa, perceberam e desaprovaram o fato de que eu queria viver de acordo com minhas próprias regras. E rapidamente fui rotulada de ingrata, chegando a ouvir que eu tentava ganhar dinheiro com minha situação. As pessoas achavam estranho que eu pudesse pagar um apartamento. Histórias sobre somas enormes em troca de entrevistas começaram a surgir. Pouco á pouco, a simpatia transformou-se em ressentimento e inveja – e, algumas vezes, em ódio declarado.
O que as pessoas menos toleravam era que eu me recusasse a julgar o sequestrador do modo como o público esperava que eu fizesse. Ninguém queria ouvir que não há mal absoluto nem preto e branco. É claro que o sequestrador roubara minha adolescência, me trancara e atormentara – mas, durante os anos mais importantes, dos 11 aos 18, ele fora a única referência em minha vida. Ao escapar, eu não apenas me libertara de meu torturador, mas também perdera uma pessoa que era, por força das circunstâncias, próxima á mim. Mas tristeza, mesmo que fosse difícil de compreender, era algo que não me era permitido.
Acreditei que, ao satisfazer á curiosidade da mídia, seria capaz de retomar minha história. Só depois descobri que uma tentativa como essa nunca teria êxito. Nesse mundo que buscava por mim, a questão não era eu.  Eu me tornara conhecida por causa de um crime terrível. O sequestrador estava morto – não havia um caso Priklopil. Eu era o caso agora: o caso Natasha Kampusch.
 (trechos do livro 3096 Dias)

quarta-feira, 21 de março de 2012

MATÉRIA: EXISTE FUTEBOL CAPIXABA?


Depois de muito me perguntar, e de ouvir a mesma pergunta em rodas de bate-papo, resolvi ir à busca de algumas respostas, se é que isso é possível, para a questão que mais atormentar o torcedor capixaba: Por que o Espírito Santo não possui um time de peso no futebol brasileiro?
Com essa premissa, parti numa maratona de pesquisas através da internet, jornais, revistas, e até cheguei a entrar em contato, por e-mail, com a Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo. E o resultado, embora nada conclusivo, é decepcionante: além de não termos um representante á altura dos grandes, não existe a menor chance de isso acontecer. Não no atual cenário futebolístico. Os menos otimistas escrevem que é mais fácil a humanidade descobrir vida fora da Terra, do que nosso estado ter um clube na elite do futebol.
Como bem sabemos o estado não tem representantes nas séries A, B ou C, contando só com uma mísera vaga fixa na série D, a 4º divisão nacional, que vai para o campeão capixaba. Nosso estadual possui média de público de mil torcedores por partida (só pra se ter uma ideia de como esse número é vergonhoso, ABC X América, o sexto maior clássico nordestino, tem uma média de público pelo menos sete vezes maior). 
Segundo minhas pesquisas, essa síndrome de patinho feio do capixabão pode ter tido origem no século passado, quando o poder público investiu em grandes estádios pelo Brasil: o Rio ganhou o Maracanã, Belo Horizonte, o Mineirão, Campina Grande ficou com o Amigão, etc... E o Espírito Santo ficou de fora dessa lista. Nosso maior estádio, o Engenheiro Alencar de Araripe, em Cariacica, comporta somente 13 mil torcedores.
Parece que outro golpe veio da TV: a exibição de jogos do Rio e de São Paulo converteu gerações. E os capixabas, carentes de um representante, optaram por torcerem pelos grandes cariocas. O Flamengo sozinho consegue ter mais torcedores por aqui, do que todos os outros clubes capixabas juntos. Sem uma transmissão descente fica difícil divulgar o nosso futebol e elevá-lo á um patamar que possa ser considerado no mínimo aceitável. Se pelo menos o Tabajara Futebol Clube fosse daqui de nossas terras, seriamos mais felizes, afinal, até o timeco do Bussunda é mais famoso do que a Desportiva Ferroviária, talvez o nosso time mais expressivo.
E assim segue a vida do torcedor capixaba. Que tem que dividir a paixão pelo futebol, com a decepcionante posição de único estado da região sudeste, no qual sua presença no futebol brasileiro é simplesmente irrelevante...

quarta-feira, 14 de março de 2012

RESENHA DE LIVRO - O Último Irmão

Foi durante um passeio no shopping em nossa última viagem de férias, que minha esposa descobriu, por acaso, um dos livros mais incríveis que já li. Estávamos fazendo um de nossos hobbies favoritos: vasculhar livrarias á procura de novidades.  De modo involuntário, ela desenterrou de uma enorme banca de promoções, um livro pequeno e aparentemente inexpressivo intitulado “O Último Irmão”. Com ar indiferente ela leu a sinopse, e em seguida, me entregou dizendo: “Vamos levar este também. Acho que deve ser legal”. Mal fazíamos ideia de que acabávamos de colocar as mãos numa das mais brilhantes obras literárias atuais.
A autora, que até então eu desconhecia, Natasha Appanah, nos brinda com uma história bela e comovente de amizade, no auge de sua pureza. Narrada em primeira pessoa, a sensibilidade expressadas no texto é indescritivelmente real e fascinante. É quase impossível não viver os sentimentos dos personagens: uma amizade cristalina como a água de uma nascente.
Um velho chamado Raj é quem conta a história de sua infância aos nove anos. Filho de uma mãe submissa e dedicada e um pai alcoólatra e violento. Desconhecedor do mundo e das tragédias (o ano é 1944, já da pra imaginar que tipo de tragédia, né?) que ocorrem fora da pequena ilha onde vive, Raj precisa lidar com a vida pobre e o trauma da morte de seus dois irmãos.
Em uma prisão para refugiados judeus, ele conhece David, garoto órfão, da mesma idade. De imediato, ambos reconhecem um no outro, a gostosa inocência de uma amizade infantil. É essa relação dos dois amigos o ponto chave da história. E embora seja um pouco triste, a autora não deixa o texto cair na pieguice.
Li alguns comentários maldosos na internet, afirmando que "O Último Irmão" trata-se de uma cópia descarada do livro "O menino de Pijama Listrado". Embora de fato ambos girem em torno da amizade entre dois jovens amigos, assim como as dificuldade em que a atual situação os coloca, as coincidências param por ai. O livro de Natasha Appanah mantém o foco na visão do narrador da história, deixando claro apenas o ponto de vista de um menino. Enquanto no livro de John Boyne, a coisa parece ser mais ampla, retratando alguns aspectos como preconceito e indiferença social.
O Último Irmão é um livro é simplesmente magnífico, gostoso de ler e emocionante ao extremo! Não é por acaso que o deixo como livro indicado pelo blog neste mês.
Aos amantes de literatura, fica a dica...

sábado, 3 de março de 2012

CONTO: Um instante congelado! (Por Michel Soares e Carmem Lúcia)



... onde parava, ali era sua morada.
Andarilho!
Sem apegos e feliz.
família? o mundo.
Não fazia distinção dos ladrões e
também não tinha nada para ser roubado.
Tinha o tesouro no olhar- profundos!
Um verdadeiro Hippye... Um cara maneiro e inovador...
Saiu fora de todas as convenções:
tipo, quem quiser que me siga- sou mais eu!
O cara era por demais moderno, num meio totalmente primitivo.
Deixou o recado sem impor e se mandou.
Cabelos e barbas grandes,
sandálias, meio sorriso
e introspectivo.
E amava as mulheres que curtiam a vida, chamada fácil.

"Conseguimos extrair momentos eternos, mesmo diante das dificuldades, como a distancia. Michel e eu buscávamos nesta tarde de sábado, alguém que tenha passado por aqui sem se corromper, sem intoxicar com essa sociedade que castra, inibe e nos tira o essencial: Liberdade!"

Carmem Lucia

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SUA MORTE EM BOAS MÃOS


Você possui algum desejo inusitado que gostaria de ter realizado em seu funeral?
Se por acaso sua resposta for sim, então você precisa dos serviços de um sujeito chamado Robert D. Webter.  O americano é agente funerário há mais de trinta anos, e digamos que, ao longo desse tempo, se tornou especialista em atender aos últimos pedidos mais incomuns de seus clientes. E ele resolveu compartilhar suas aventuras funestas, num livro onde conta como foram algumas das situações mais estranhas em enterros.
Só pra se ter uma ideia, o cara já organizou um funeral em que o morto levou uma picape para a sepultura; outro em que o caixão continha uma coleção de revistas Playboy; e um velho milionário que insistiu em ir para a cova, levando consigo um quadro avaliado em mais de cem mil dólares.
O título do livro, “Does this mean you’ll see me naked?”, foi uma ideia que surgiu em conversa com uma amiga da esposa de Robert, que o chamou num canto durante um velório, dizendo que queria que ele cuidasse do seu funeral quando ela morresse, mas que antes gostaria de saber um pequeno detalhe. Ela perguntou: “Você precisa me ver nua para fazer o seu trabalho?”. Segundo Robert, as mulheres são mais recatadas nesse aspecto do que os homens.
Infelizmente essa perola ainda não possui tradução aqui no Brasil, portanto, ainda teremos que esperar um pouco mais para descobrir o que esse povo anda cismando em levar junto, para a morada final...

RESENHA DE LIVRO - O Dossiê Iscariotes


Uma Trama bem elaborada, um thriller de suspense, um autor com anos de experiência em jornalismo, e até título e capa envolventes, foram as premissas de Marcos Losekann para sua primeira investida literária. Sim, pois seu livro, “O Dossiê Iscariotes”, parecia ter todos os ingredientes para garantir seu espaço entre os grandes Best-sellers mundiais.
Contudo, acho que o trabalho do repórter da Globo não foi muito além dessa mesma “Premissa”, o que não quer dizer que seu livro seja propriamente ruim. Eu diria mediano e esquecível.
Uma pena, pois de fato, Losekann tinha em mãos todos os ingredientes para elaborar um excelente trabalho: um enredo bem bolado e anos de jornalismo. Mas talvez essa mesma vasta experiência, que deveria ter sido seu grande trunfo, acabou tendo um efeito contrário, deixando seu trabalho um pouco extenuante.
O romance policial (o autor prometeu que este é o primeiro volume de uma trilogia), conta a história de um correspondente jornalístico (por que será?), Anderlon Gonçalves Valderês, o AGV, que cobre uma série de reportagens que vão desde uma rebelião num presidio de Manaus, que acaba resultando na morte de todos os presos envolvidos e de uma freira, que era mantida como refém; ao assassinato de um seringueiro chamado Chico Mendes. Motivado por seus instintos jornalísticos, AGV se aprofunda nos fatos e acaba descobrindo que a chacina na prisão, foi na verdade um golpe de queima de arquivos.  E conforme a coisa vai se desenrolando, AGV, um homem ateu, se vê em meio á aparições sobrenaturais da freira morta, e outras situações que colocarão é prova todo o seu ceticismo.
Mas se a trama parece envolvente, Losekann peca no desenvolvimento de seus personagens. Praticamente todos são apáticos e sem-graças, começando pela figura principal, o AGV, narrado sempre como um profissional perfeito, politicamente correto, que escreve impecavelmente, é incansável e um perito em investigação. E pra balancear com tantas qualidades, lhe fora atribuído uma saúde debilitada por conta da AIDS. Mas nem isso ajudou a tirar de AGV sua condição de verdadeiro “chato”. Quanto aos demais personagens, diante de um herói tão magnífico, ficaram com a pequenez de coadjuvantes, que nada fazem além de esbarrar na jornada de AGV, para... Para nada.
Outro detalhe que deixou as coisas um pouco ruins foi o estilo jornalístico da trama. Justamente por se tratar de um personagem que rala exatamente na mesma profissão que o autor, a história ficou infestada de situações á cerca das atividades diárias de um correspondente brasileiro. E muitos relatos nesse sentido tornou a coisa meio cansativa...
Acho que Marcos Losekann merece os aplausos por sua ousadia. Porque geralmente quando jornalistas escrevem, contam apenas em documentários suas aventuras ao longo da carreira. E Marcos arriscou-se num suspense literário, no qual provou que possui talento para tal, mas que ainda precisa de amadurecimento nessa difícil arte de desenvolver histórias.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

RESENHA MUSICAL: KORN – Path of Totality


É uma pena ver a ininterrupta decadência de uma banda que foi tão boa, no qual seus dezoito anos de estrada parece não ter lhes fornecido o dom da experiência. Triste, mas a impressão que tenho é que o Korn se cansou, e continua gravando apenas para, digamos, “ganhar mais alguns trocados”. Definitivamente, os bons tempos de Follow the Leader, Issues e Untouchables se foram para sempre...
Em entrevista recente cedida pelo vocalista do Korn, Jhonatan Davis anunciou que os fãs da banda provavelmente odiariam o novo álbum, uma vez que, este seria um trabalho totalmente diferente de tudo o que a banda já havia feito.
De fato, o líder do Korn tinha toda razão em uma coisa: The Path of Totality não é apenas diferente; é ruim mesmo! Contudo, Jhonatan se engana ao pensar que este é o primeiro de seus trabalhos que serão odiados. Pelo menos eu discordo, porque seus últimos álbuns estiveram muito distantes do talento que fez com que o Korn se tornasse uma das maiores bandas de Nu Metal do mundo.
 É claro que a opinião de alguém que foi fã da banda (no meu caso, nos tempos de minha adolescência) pode comprometer um pouco. Mas verdade seja dita: se Jhonatan Davis queria fazer um trabalho tão diferenciado do estilo da banda, que fizesse isso de forma independente. E se não o fez, provavelmente foi porque queria usar o nome consagrado que sua banda possui para garantir vendas e imagem. E mais: se é pra fugir tanto das raízes assim, porque não acaba de uma vez com o Korn, e começa um novo trabalho, uma nova banda, tocando aquilo que ele quiser? Provavelmente isso atrairia novos fãs, que curtirem o novo gênero á que a banda se comprometer, e não lesaria os antigos, que assim como eu, sentem saudades dos velhos tempos...
Esta pode de fato parecer minha resenha mais odiosa. Mas quem curtiu Korn, e ouviu este último álbum, sabe muito bem do que estou falando. E meu conselho para os fãs é: Não perca seu tempo!! Mas se ainda quiser dar uma chance aos caras, como eu fiz, vai notar que, menos de dez minutos ouvindo The Path of Totality serão suficientes para lhe causar náuseas...  

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

RESENHA DE LIVRO - AS AMIGAS DO CLUBE


Uma maré de livros “medianos” tem invadido minha estante nos últimos meses. E este “As amigas do clube” não foi uma exceção. A novela da jornalista e escritora holandesa Saskia Noort, apesar de possuir uma linguagem cativante, peca com sua trama fraquinha e desinteressante. Eu diria que o auge não passa de alguns poucos instante mornos ao longo de suas 352 páginas.
A trama segue envolta de um casal que abandona a capital holandesa, Amsterdam, para começarem vida nova em um povoado no campo. A personagem Karen, que narra a história, logo se vê em um lugar onde seu grande desafio passa ser a adaptação. Com o passar do tempo, ela conquista a amizade de outras famílias, que vivem aparentemente felizes e bem sucedidas. Juntas, elas iniciam uma espécie de clube gastronômico, no qual leva o título do livro.  Contudo, após um incêndio que resulta na morte de um dos personagens, a vida aparentemente perfeita de Karen começa a se revelar um círculo marcado por ciúmes, traições e materialismo.
Como eu costumo sempre apontar, “As amigas do Clube”, vale pela leitura ágil e descomplicada.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

POESIA: MENTES QUE MENTEM




Maçãs do rosto coloridas
com papel de seda,
retorciam-se no espelho desnudo
sorrindo para o mundo.

Lá fora, tempestade!
Raios espelhavam sua miudez,
em saltos.

Saltitava nos pingos da chuva
saboreando entre dentes
acidez do veneno respingado,
na pele nua.

Chamavam-na louca.
Louca da rua!
Nua!
Era tão só
e sua.

Poesia maravilhosa, que roubei do livro da talentosa escritora, e minha amiga, Carmem Lucia de Andrade. Á você Carmem, minhas mais sinceras congratulações!!!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

MATÉRIA: CÉREBRO DOS APAIXONADOS POSSUI MECANISMO PARA EVITAR O ADULTÉRIO


Quem está apaixonado, vive em estado de graça; meio aéreo, sem prestar muita atenção no que está se passando em sua volta. Isso todo mundo já sabe. Mas cientistas da Universidade da Flórida descobriram que a coisa pode ir muito além: o amor torna o cérebro humano literalmente incapaz de prestar atenção em rostos muito bonitos.
Os pesquisadores fizeram um estudo para medir a atenção de 113 homens e mulheres, que foram expostos á fotos de pessoas lindas (e outras não tão bonitas). Metade dos voluntários teve de escrever, antes da experiência, um pequeno texto falando sobre o amor que tinha pelo seu parceiro. A outra metade fez uma redação genérica, sobre felicidade. Em seguida, as fotos foram exibidas – com os olhos dos voluntários monitorados por um computador. Quem tinha escrito (e pensado) em amor passou a ignorar as imagens de pessoas bonitas – seus olhos simplesmente não se fixavam sobre as fotos. E essa rejeição só acontecia com as fotos de gente linda. Já com as imagens de pessoas comuns, não havia diferença.
Segundo os cientistas, isso acontece porque, quando as pessoas pensam em amor, seu neocórtex passa a repelir pessoas muito atraentes – que são tentadoras e têm mais chances de levar alguém a praticar adultério. O mais impressionante é que, entre os homens, esse mecanismo “antitraição” é 4 vezes mais forte do que nas mulheres.
Os cientistas especulam que esse mecanismo teria se desenvolvido, ao longo da evolução, para ajudar os machos a se manterem monogâmicos. “Há muitos benefícios evolutivos em uma relação monogâmica, e o organismo leva isso em consideração”, diz o psicólogo Jon Maner.

(Fonte: revista Super Interessante)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

MATÉRIA: E-BOOKS - UMA POSSÍVEL SAÍDA PARA ESCRITORES INDEPENDENTES


Não é nenhuma novidade que, em ritmo acelerado, os livros digitais estão, cada vez mais, tomando conta do mercado. E esta pode ser uma boa notícia para escritores independentes. Como a procura por um contrato com uma editora de peso têm se tornado algo distinto por conta da gigantesca quantidade de interessados, a publicação independente se mostra uma instigante opção. E o mercado de E-books está apostando nessa opção, podendo este ser um atalho para o tão sonhado reconhecimento.
Alguns autores já são mundialmente conhecidos como Nyree Belleville, que ganhou meio milhão de dólares nos últimos 18 meses, vendendo diretamente seus livros digitais, em vez de usar uma editora.
Mas também há estreantes como Eve Yohalem. Um mês depois de publicar por conta própria seu primeiro livro, a mina só conseguiu faturar US$ 100,00 – depois de gastar US$ 3.400,00 com despesas de publicação. De qualquer forma, ela afirma não ter pressa.
A publicação independente existe há muito tempo. Mas graças á tecnologia digital e o nascimento dos livros eletrônicos, o número de lançamentos de títulos independentes subiu quase 160% em comparação ao ano passado. Cálculos fornecidos pela R.R. Bowker, que monitora o segmento editorial. Empresas como a Amazon, chegam a oferecer até 70% da receita gerada pela venda dos livros digitais aos seus autores independentes. É um prato cheio se compararmos com as editoras tradicionais que pagam menos de 20% da receita líquida no segmento impresso.
Quer um exemplo? A autora Nyree Belleville, citada acima, é uma escritora já experiente em literatura romântica, que passou sete anos usando o pseudônimo “Bella Andre”, publicou por conta própria seu primeiro E-book em abril de 2010. Desde então, ela já conseguiu vender em torno de 265.000 cópias entre dez publicações digitais independentes. Com a variação do preço de cada E-book entre US$ 2,99 e US$ 5,99, a escritora já faturou mais de US$ 500.00,00.
Outro exemplo de sucesso ocorreu com a despretensiosa Darcie Chan, escritora voltada para o público feminino, que assistiu a ascensão de seu livro, “The Mill River Recluse” – sem tradução para o português, chegar ao quinto lugar da lista do The Wall Street Journal, dos mais vendidos em formato digital neste mês de Outubro. O livro de Chan custa meros US$ 0,99 por cópia digital. Seu livro, hoje vendido por diversos varejistas na Internet, havia sido rejeitado por algumas das maiores editoras americanas.
“Minha intenção era divulgar gradualmente meu nome como escritora, porque quando meu livro era rejeitado, a coisa que mais ouvia era que ninguém me conhecia. Jamais esperava que isso fosse acontecer”. Diz Chan.
É claro que estes são exemplo de dois surpreendentes sucessos alavancados pela indústria digital. O que não significa que qualquer trabalho neste sentido poderá vir a ser um sucesso absoluto ou mesmo certeza de lucros. Mas a dúvida que realmente intriga os pretendentes á escritor independente é quanto à publicação e os custos. Sem falar que conseguir a atenção dos leitores (principalmente por aqui, onde menos de 35% da população é consumidora de cultura) já é um enorme desafio. E nisso os E-books também possuem uma vantagem, pois eles podem ficar disponíveis em sites de vendas indefinidamente. Enquanto que um livro impresso, após seu lançamento, não fica por mais que seis meses nas prateleiras das livrarias. Depois disso seu ciclo de vendas se encerra. Enquanto com os E-books é o contrário. Geralmente levam de seis a nove meses para decolarem nas vendas e você ainda tem a vantagem de nunca deixar de vendê-lo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

MATÉRIA: COMO FAZÍAMOS SEM LIVROS?


A escrita surgiu na mesopotâmia, criada pelos sumérios em 3000 a.C., mas a base para receber as letrinhas tal como conhecemos hoje tardou 4.5 mil anos a aparecer. Se você se encanta com o iPad e outros tablets, saiba que tabletes foram os primeiros suportes de textos. Eram de argila, pouco maiores que uma mão, e serviam de base para a escrita cuneiforme (em forma de cunha), feita com estiletes. Acarretavam dois problemas: eram difíceis de transportar e armazenar.
Os egípcios deram um passo adiante ao usar o papiro (foto acima), retirado de uma planta do rio Nilo. O que eles chamavam de livros, eram rolos presos a hastes de madeira. Foi com um acervo de papiro que surgiu a maior biblioteca da antiguidade, em Alexandria, fundado por Ptolomeu I (305-283a.C.). Os números destoam, mas ela guardaria algo entre 400 mil e 700 mil volumes.  Quando pegou fogo, no século 1 a.C., quase todo o conhecimento do mundo antigo virou cinza.
Na idade média, a tarefa de preservar os antigos livros ficou a cargo dos monges, especialmente dos beneditinos. Eles usavam couro de animais, o pergaminho – a técnica nasceu na idade de Pérgamo, hoje Bergama, na atual Turquia. Como eram caros, os monges raspavam pergaminhos para usa-los novamente, o que é conhecido como palimpsesto. Os religiosos criavam pouco. Na verdade, o trabalho dos copistas era reproduzir obras antigas. E não havia circulação. Quem quisesse ter acesso aos textos precisava perambular por monastérios. O volume de livros da humanidade á época de Dante Alighieri (1265-1321) poderia ser lido por uma pessoa ao longo de sua vida.
No renascimento, com o surgimento das primeiras universidades, a demanda por livros cresceu. Os primeiros, impressos com os tipos moveis, desenvolvidos pelo alemão Johannes Gutemberg em 1450, imitavam os pergaminhos. O livro, uma invenção que segue atual mais de 500 anos depois por causa do baixo custo e da portabilidade, ajudou a criar as línguas nacionais, popularizou a escrita, e segue mais ou menos com a mesma cara até hoje. Quem sabe quando eles darão lugar, definitivamente, aos tablets, ou tabletes?
“Eu, particularmente, espero que nem tão cedo...”.

(Fonte: Revista Aventura na História)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

PREVISIVELMENTE IRRACIONAL


Durante minha infância, sempre entendi os almoços de domingo em família como um verdadeiro tormento. Eu explico: é que minha mãe era o tipo de mulher que gostava de tomar um cuidado excessivo com as aparências sociais, sendo assim, era ela quem sempre fazia meu prato. E numa mesa enormemente farta, eu tinha que me contentar com um ou dois míseros pedacinhos de carne, enquanto ao meu redor, todos se esbaldavam. Somente uma única vez eu me atrevi a reclamar, e o resultado foi um interminável sermão por parte dela, cheio de ameaças. Acostumei-me tanto com esse hábito, que nos atuais dias, mesmo sem minha velha por perto, lá estou eu nos almoços de domingo, tentando manter a boa aparência pegando só um pedacinho. Quando o que eu realmente queria era pegar o bife maior. E não tem jeito. Hoje eu faço isso inconscientemente.
Este exemplo mostra um pouco do que este livro oferece: que todas as nossas decisões, mesmo aquelas que são milimetricamente calculadas, são contaminadas por sentimentos ou influências que quase nunca percebemos. E que acabam estragando o trabalho da razão.
O autor Dan Ariely, professor de economia comportamental da Universidade Duke e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos conta ao longo de 220 páginas que, sem perceber, deixamos de usar a razão frequentemente. Segundo ele, isso acontece porque nossas decisões são guiadas por fatores que passam despercebidos pelo cérebro quando estamos prestes á calcular o nosso próximo passo. Mesmo aqueles mais simples, como no meu caso, o de simplesmente pegar um pedaço maior de carne, conforme minha verdadeira vontade.
A notícia boa é que é possível estimular-nos á ver a realidade de uma forma distorcida, fazendo com que deixemos nossos olhos do hábito de lado, para usarmos os olhos da razão. Ariely nos dá um exemplo: segundo ele, sentimos que estamos sempre tomando decisões, mas, na verdade, estamos repetindo a mesma decisão várias vezes. E nem sempre pesamos os prós e os contras na hora de escolher. Apenas concluímos que, se já agimos assim antes, nossa decisão anterior deve ter sido a mais razoável. Se comprarmos um carro grande, é provável que continuemos comprando.
Previsivelmente Irracional é um ótimo livro, abordando um tema que envolve á todos nós... vale a pena.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

RESENHA DE LIVRO - MADONNA – 50 ANOS



Para começar a falar desse livro, preciso fazer uma confissão: nunca me interessei por Madonna ou pelo seu trabalho (para não ser completamente radical, eu gosto da canção "Frozen"). Eu só comprei o seu livro porque estava na seção promocional, há um preço baixo demais pra se recusar. Contudo, a biografia de uma mulher que começou do nada, e hoje é dona de uma fortuna avaliada em mais de 600 milhões de dólares; e que vendeu mais de 200 milhões de discos pelo mundo, é no mínimo curioso.
Cheio de desconfiança, e até com uma dose de má vontade, comecei a ler. E, pasmem! Para minha total surpresa, a contradição veio logo nas primeiras páginas. MADONNA – 50 ANOS, é um livro ótimo! A autora Lucy O’brien conta toda a trajetória da polêmica cantora, desde a infância até sua quinta década de vida, de forma segura e agradável. O texto desenvolve-se com uma facilidade que não se vê em qualquer autor. Em determinados momentos você começa até a gostar e entender Madonna. Em outros, você odeia e á acha uma louca. Isso caracteriza a habilidade da autora em interpretar o personagem, o que nos faz viver através de 512 páginas, um pouco do que foi a vida de muito trabalho, dedicação e controvérsia, da maior cantora pop da humanidade.
O ponto fraco do livro são os intermináveis relatos e estória á cerca da trabalheira que foi produzir cada disco da cantora. Em minha opinião, isso deixou algumas partes do texto um pouco "chatinhas" por conta de muitos termos e comentários técnicos dos envolvidos na produção (é claro que os fãs devem ter achado até isso muito legal. Quanto a mim, estava lendo a biografia de uma cantora, nada mais justo do que encontrar muito material sobre como foi preparar cada álbum. Uma vez que, Madonna parece ter passado a maior parte de sua vida dentro de estúdios de gravação).
E pra terminar esta resenha, eu o faço da mesma maneira que comecei: com outra confissão: ler MADONNA – 50 ANOS, me deixou no auge do sentimento de prazer na leitura, e com aquele gostinho de “quero mais”.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

NOVO ALBUM DO MEGADETH


Depois do ótimo Endgame, de 2009, os caras do Megadeth estão de volta. E Dave Mustaine repete a dose com este TH1RT3EN, outro trabalho fodástico!!
É claro que não sou a melhor pessoa para opinar sobre a banda, uma vez que, minha condição de admirador do trabalho deles, deixa minha analise comprometida. Mas...
Aqui neste álbum, ganhamos uma avalanche de guitarras aliando riffs e solos perfeitos, deixando pra trás de uma vez os comentários maldosos de alguns idiotas que andavam dizendo que o Megadeth é uma banda de altos e baixos...
O destaque de algumas faixas (pra não dizer todas) fica por conta de “Sudden Death”, que abre o disco; “Public Enemy nº1”, bem agressiva; “Whose Life (Is it Anyways?)”, muito rápida...
Mais uma vez eu reforço: O ano de 2011 está bom demais!! Draconian e Arch Enemy foram os grandes álbuns do ano até agora. E, unindo-se á eles, com certeza o Megadeth...
Uma pequena decepção, se me cabe apontar, ficou por conta do fraquinho “Lulu” do Metallica.
E Viva 2011!!

RESENHA DE FILME - CONAN – O BÁRBARO


Quando li a sinopse e vi o trailer, fiquei com enorme desconfiança deste que foi um de meus filmes favoritos na infância. E minhas suspeitas tornaram-se fato quando assisti, ou melhor, aguentei á uma hora e meia desta extenuante porcaria.
Sim, este novo Conan – O Bárbaro, é ruim demais, pra não dizer coisas piores. Sabe aqueles filmes que deixam claro sua simples pretensão de arrancar dinheiro? E este é o sentimento predominante na cabeça dos que tiveram a paciência de ir ao cinema: a de que fomos enganados novamente.
Ok... Vou falar um pouco da “fraquíssima” trama: Após a morte do pai e de testemunhar o constante sofrimento de seu povo, vítima do terrível (ai meu Deus, que medo!!) Khalar Zym, o cimério Conan parte em busca de vingança... Simples assim.
Eu me pergunto onde os produtores do filme estavam com a cabeça quando escolheram um ator totalmente ausente de testosterona feito Jason Momoa? O cara até que tentou mostrar alguns bíceps e tríceps girando sua espada. Mas nem os modernos efeitos holywoodianos conseguiram agigantar o minúsculo ator.
As cenas de ação ficaram razoáveis e o clima do filme não passa de mais propósitos para colocar mais efeitos desnecessários. Por sorte, eu escapei de um profundo remorso, pois se tivesse visto em 3D, teria me custado bem mais... Ufa!!
Uma pena, mas teremos que aguardar mais um pouco até encontrarmos um Bárbaro Cimério á altura dos bons tempos de Schwarzenegger.