sexta-feira, 20 de junho de 2014

RESENHA DE LIVRO – O DIABO VESTE PRADA


Ser um amante de literatura por si já me torna uma pessoa um tanto singular, num país onde a maioria sustenta um total desprendimento cultural. E o que dizer de ser um homem que gosta de ler chick lit? (gênero literário moderno, destinado ao público feminino). Obviamente isso só acentua ainda mais a peculiaridade das preferências que me constituem.
Este “O Diabo Veste Prada” é um dos mais famosos livros do gênero citado acima, no qual duas pequenas particularidades me chamaram a atenção quando li: a pretensão da autora e a trama em si. Deixe-me tentar explicar:

Quem já leu Chick lit e conhece o gênero, sabe bem que as histórias são geralmente tecidas em torno de uma típica figura feminina do mundo pós-moderno, com enredo de fácil digestão, linguagem coloquial, normalmente engraçado e cativante. Mas neste trabalho da autora Lauren Weisberger, algumas coisas escaparam totalmente ao que seria a regra do gênero; o que não seria uma coisa ruim, caso tais distinções denotassem um agradável ineditismo e até originalidade. Mas a obra, embora seja mesmo de fácil leitura e com linguagem simples e moderna, passa longe de ser cativante, não é nem um pouco engraçada e ás vezes até cansativa. Se pensarmos no desenvolvimento da trama então, aí a coisa fica mesmo completamente irritante tamanha é a ausência de tempero.
Eis a sinopse:
Andrea Sachs é uma garota recém-saída da faculdade, e que arranja emprego de assistente da poderosa editora Miranda Priestly ( o diabo do título), na conceituada revista Runway. Pronto. A trama do livro é somente isso.

Serão longínquas quatrocentas e tantas páginas que narram os apuros vividos pela personagem principal, orquestrados por uma chefa que é um verdadeiro diabo encarnado. As situações são constantes e realmente beiram o absurdo, deixando sempre muito explícito a enorme truculência de uma líder para com suas empregadas. E quando a personagem não está no trabalho, tudo o que vemos são seus relatos quanto aos medos e traumas, resultados de um trabalho torturante e sem sentido. Até o desfecho previsível e nem um pouco interessante. Ás vezes, eu fiquei com a sensação de que a autora nada mais fez do que encher linguiça a maior parte do livro.
O Diabo Veste Prada não chega á ser um livro ruim. Longe disso. Ele é bem escrito, possui uma personagem principal até simpática, e podemos desfrutar de um intenso vislumbre do que seria o mundo da alta costura. As famosas marcas de grifes não estão somente no título do livro, mas também espalhadas ao longo de toda a trama. Mas o enredo é de uma mesmice estagnada, que pode cansar em alguns momentos.

A minha opinião como leitor pode até ser ofuscada por uma legião de fãs do livro, eu sei. Mas justamente como mencionei no inicio desta resenha, eu gosto de ler chick lit e, portanto, não me incomoda o fato de estar diante de um gênero que sempre denotou sua total despretensão e simplicidade. Mas a realidade é que o texto se tornou extenso demais, repetitivo e pouco engraçado.
Este foi um raro caso de um livro que eu descobri após ter assistido ao filme, que por sinal, é outro caso raro do trabalho cinematográfico, que em alguns momentos chega a ser mais eficiente do que o próprio livro. Um ponto positivo quando se lê depois de assistir, é que a chefa carrasca, Miranda Priestly, acaba ganhando um rosto, pois é impossível ler sem ter em mente o olhar gélido interpretado magistralmente na telona pela sempre maravilhosa Maryl Streep.

Gosto sempre de sustentar a ideia de que um livro vale pelo simples ato de ler. E o Diabo Veste Prada vai merecer os aplausos por sua dinâmica detalhista e simpática. Mas infelizmente é um livro esquecível, que é facilmente ofuscado por tantos outros melhores autores do mesmo gênero.

sábado, 19 de abril de 2014

RESENHA DE LIVRO – LEONARDO DA VINCI


Leonardo da Vinci foi um homem avançado demais para sua época. Essa é a conclusão a qual me convenço á cada novo livro que leio sobre a vida e o trabalho deste gênio da renascença.
Se Leonardo tivesse vivido nos dias de hoje, numa era moderna com imensos avanços tecnológicos e quantidades absurdas de recursos que praticamente vão ao infinito, certamente este homem teria criado coisas inimagináveis, mesmo para nós, viventes deste período abundante.

Neste livro, cujo título leva o nome do mestre italiano, o autor Martin Kemp, especialista em Leonardo da Vinci, deixa de fora o lado biográfico para ir mais á fundo nos trabalhos que Leonardo desenvolveu ao longo de sua vida. Kemp tenta compreender como funcionava a mente deste gênio, que era capaz de unir arte e ciência em seus projetos. Também nos mostra um pouco do legado que ele nos deixou, vasculha seus trabalhos inacabados, seus desenvolvimentos mecânicos e até seu caderno de notas. E quando se está diante das obras de Leonardo, é impossível não sustentar uma constante impressão de que ele foi um grande visionário, que antecipou nossa atual era moderna.
Obviamente este livro é relativamente pequeno e talvez até incapaz de fazer justiça á enorme abrangência do personagem homenageado. Mas com competência e esforço, o autor tentar mostrar toda a proposta de captação da verdadeira essência de Leonardo da Vinci como indivíduo e fenômeno histórico.

Como não poderia ser diferente, o conteúdo literário é um pouco técnico e em alguns momentos pode cansar os leitores menos interessados na complexidade das obras do artista. Porém, aqui podemos encontrar detalhes ricos e interessantes á cerca das criações do mestre italiano. Mesmo aquelas que ficaram inacabadas.
O último capítulo chama-se “O Quarto de Lisa: Leonardo da Vinci além da vida”. Aqui encontramos detalhes surpreendentes sobre o afresco mais famoso de Leonardo, a Mona Lisa. Curiosidades legais que não cometerei o pecado de revela-las nesta resenha. Melhor deixar para que você leitor, se esbalde como eu fiz, através das páginas que contam um pouco mais sobre os grandes projetos deste que foi um dos maiores homens que já pisaram neste planeta.
O livro possui um visual belíssimo, contendo imagens dos quadros de Leonardo, assim como trechos de suas complexas anotações. É um belo volume para se ter na estante. E melhor ainda é esmiuçar suas páginas e poder aprender um pouco mais sobre Da Vinci e sua inesgotável mente criativa.

segunda-feira, 24 de março de 2014

RESENHA DE LIVRO – O PODER DOS QUIETOS


A primeira coisa que chamou minha atenção quando eu retirei este livro das prateleiras e o segurei entre meus dedos, foi seu resoluto subtítulo: “Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar”. Imediatamente pensei se tratar de mais daquelas embromações, escrita por algum guru distinto, que trás lições elaboradas e incontestáveis de como ser feliz ou ter sucesso na vida. E embora eu desconfie desse tipo de fórmulas prontas, pensei que o livro seria legal, porque eu teria uma chance de me auto avaliar e ver o quanto havia conseguido evoluir naquilo que considerava o meu mais temeroso defeito: a timidez.

E a primeira bofetada que recebi, já nas primeiras páginas deste excelente “O Poder dos Quietos”, o qual eu me atrevo á elevá-lo ao status de bíblia dos introvertidos, é que timidez e introversão são duas condições absolutamente distintas; que não há uma definição geral entre os doutores da psicologia para introversão e extroversão; que eu estava de posse de um manifesto de ideias, capazes de me mostrar que existem qualidades e virtudes na introspecção, as quais eu não via porque aprendi a apreciar somente aquilo que o mundo determinista ditava como regra para o sucesso: a capacidade de ser extrovertido.
Sim, o subtítulo da obra é pretensioso e bonitinho, do tipo que promete felicidade moldada numa forma. Provavelmente foi inspirado segundo os critérios do bom marketing de vendas. Mas seu conteúdo é versado, impecavelmente construído por meio de infindáveis pesquisas sobre razões, consequência e as diferenças entre extrovertidos e introvertidos. Esse fato foi a segunda bofetada, a que me mostrou o quanto meu temperamento é o de um genuíno introvertido. Mesmo após anos trabalhando para melhorar isso em mim, simplesmente por achar inadequado, ainda continuo afeiçoado ás características dos ensimesmados.

A autora Susan Cain (que intitula á si própria como introvertida) esmiúça os mais longínquos e inusitados resultados obtidos através de estudos científicos, psicológicos e psicanalistas, e nos faz um resumo sobre as vantagens e desvantagens, não somente dos introvertidos, mas também dos extrovertidos. Susan vai atrás dos mais distintos assuntos, como testes de polígrafos, comentários sobre rubor facial, teoria do situacionismo, conceitos de automonitoramento, enfim, ela se mostrou uma mulher engajada na luta por encontrar explicações que pudessem esclarecer o porquê do favorecimento coletivo aos descolados.
Eu achei demais aprender sobre mim mesmo, através das páginas desse livro.

Mas talvez a grande lição que podemos extrair desse ótimo trabalho, é que a sociedade precisa de sua variabilidade, e que este livro é, na verdade, um importante guia para ajudar a nos aproximar um pouco mais de nosso temperamento.
É leitura gostosa, essencial, e por que não dizer, de fundamental teor didático.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

RESENHA DE LIVRO – HOMEM CINDERELA


Existem poucas maneiras de fazer com que as histórias dos grandes nomes do boxe mundial cheguem até os ouvidos daquele que não se interessa em acompanhar o esporte (como no meu caso). E o cinema é um desses raros meios á parte. Foi através da sétima arte que eu ouvi falar, pela primeira vez, em James J. Braddock; campeão mundial dos pesos pesados e símbolo de superação neste esporte.

Contudo, limitar conhecer a vida de grandes personagens que habitaram nosso passado, apenas através da telinha, pode ser perigoso. Porque geralmente filmes precisam de uma versão mais romantizada para atrair o público, e isso pode distorcer verdades e nos induzir á conceitos preestabelecidos.
A versão cinematográfica de “Homem Cinderela” chama-se “A Luta Pela Esperança”. História que o diretor Ron Howard foi até certo ponto fiel á vida de James J. Braddock, mas ele tiraniza seu adversário ao título mundial, Max Baer, talvez para dar maior impacto àquele que deveria ser o vilão cruel na trama.

Mas o fato é que Max baer, embora não tivesse sido exatamente um amor de pessoa, era um boxeador talentoso, que lutava fácil, gostava da fama e ás vezes era até carismático. Em momento algum no livro ele é apontado como um homem arrogante cruel e frio, características que são acentuadas no Max do filme.
Mas deixemos o filme de lado (que por sinal, vale muito á pena conferir, mas sem se ater ao lado biográfico), e vamos falar do livro do autor Jeremy Schaap, que mostrou ser um obstinado pesquisador em busca dos fatos que rondaram a vida de James J. Braddock e os grandes boxeadores de seu tempo. Uma época marcada pela quebra da bolsa de Nova York (1929), fato que gerou decadência social nos Estados Unidos e no mundo; e pelo Boxe, que naquele tempo era o esporte mais prestigiado do país.

Diante de um cenário desolador e desesperançoso, o Homem Cinderela (apelido que Braddock recebe na época) protagoniza uma história de triunfo contra todas as adversidades, e se torna herói nacional. James foi um boxeador promissor, até que uma sequencia de derrotas, a mão direita quebrada e o crack da bolsa nova iorquina, o levam ao fundo do poço. Braddock chega á ter que trabalhar em serviços braçais nas docas e receber auxílio do governo para conseguir sustentar mulher e filhos. Seu agente Joe Gould era o único que ainda sustentava alguma esperança no boxeador.
Cerca de um ano depois, vivendo sem nenhuma perspectiva, James J. Braddock ressurge das cinzas como azarão, e numa incrível reviravolta, ele se vê disputando o título dos pesos pesados, contra o atual astro e campeão mundial Max Baer.
É uma história de superação incrível, que não perde o brilho mesmo diante da autenticidade dos fatos, o principal objetivo do autor. Uma bela história para os fãs de boxe, assim como é um surpreendente livro, para os amantes de literatura; exatamente como no meu caso.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

RESENHA DE LIVRO: O FATOR SORTE


Sempre gostei da ideia de que a vida está constantemente me colocando nos lugares certos; ora para me fornecer boas situações; outras vezes para me manter longe de problemas. A maior parte do tempo, alguns detalhes denotam isso como verídico em meu dia-dia. Mas há instantes em que me vejo em situações tão ruins, que fica complicado sustentar essa minha crença, tamanho são os empecilhos ao meu redor. O que então seria esses acontecimentos, senão algo completamente fora do meu controle? E justo eu, que adoro associar o termo “autocontrole” á minha existência.  
Olhando para o cenário inteiro de minha realidade, posso afirmar que a sorte faz sim, parte de minha vida. Contudo, ela rege através de doses pequenas e constantes. Mas por que eu nunca tive um grande momento de sorte, que pudesse mudar drasticamente a minha vida? Tipo acertar os benditos números da loteria, os quais eu persigo insistentemente á tantos anos. Obviamente, da mesma forma, talvez eu devesse me sentir imensamente satisfeito com minha situação, simplesmente porque o elevado oposto também não faz parte da minha existência, ou seja, nunca tive um azar tão catastrófico, á ponto de me lançar ao fundo do poço.
Bem, o escritor Max Gunther (autor de Os Axiomas de Zurique) vai a buscar das respostas para a questão que levantei acima, e consegue juntar todo o material coletado neste interessante livro, intitulado “O Fator Sorte”. Max procura saber por que algumas pessoas possuem mais sorte do que outras e o que podemos fazer para nos tornarmos uma delas.
A grande sacada aqui foi que o autor não se apegou á nenhum estilo, conceito ou crença. Ele apenas criou uma coletânea de materiais em estilo jornalístico, para nos apresentar casos onde esse estranho fenômeno chamado Sorte foi determinante. Reuniu histórias de gente afortunada e de outras inacreditavelmente azaradas, e dividiu o livro em temas que vão desde A Teoria de Aleatoriedade (meu capítulo favorito), passando por crendices religiosas, supersticiosas, presságios e até mesmo casos de intuição. Nos últimos capítulos, o autor faz um resumo com algumas das atitudes mais evidentes na vida das pessoas sortudas. Nessa parte vemos teorias interessantes, e nem um pouco místicas, que podem muito bem ser aplicadas em nosso cotidiano, para aumentarmos o nosso imã da boa sorte.
 Que fique claro que não se trata de um livro de autoajuda. Mas um amontoado jornalístico, que vai a busca de respostas consistentes. Sem julgar, sugerir ou favorecer qualquer dos relatos presente em seu conteúdo.
É uma leitura gostosa, de fácil compreensão e que aborda um tema que interessa á todos nós. Á menos que você tenha se convencido de que é um azarado irremediável, vale á pena conferir este intrigante livro.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

HOMENAGEM: AMIZADE



O inesperado pode ser algo assustador quando se tem em jogo algo tão instável quanto nossa própria vida. Mas há momentos em que este mesmo imprevisto pode nos proporcionar alegria. De certa forma, gosto da ideia de que tudo tem á ver com a maneira com que encaramos nosso cotidiano. Uma pedra no sapato pode nos ser algo inquestionavelmente incômodo, mas esta mesma pedra, pode ter nos tirado o tempo que precisaríamos para conseguir embarcar num transporte que fora completamente destruído num acidente... Não faz muito tempo, eu precisei fazer uma cirurgia no Tendão de Aquiles. Quando entrei no quarto asséptico, fui recepcionado por duas enfermeiras, que acharam inusitado aquele meu sorriso e espontaneidade. Disseram que jamais haviam presenciado um paciente tão tranquilo ao entrar naquele lugar, considerado um antro de completa infelicidade. Aquelas palavras das enfermeiras era a comprovação de que eu estava aprendendo a olhar com admiração para toda a manutenção irremediável da vida.

Recentemente tenho experimentado algo inesperado, que me foi gentilmente devolvido pela Senhora Vida. O retorno de um velho amigo. Que simplesmente conheceu e viveu os tempos difíceis; que tolerou com paciência admirável todos os meus medos e neuroses. Um ato que por si, já valeria toda minha admiração e que seria completamente compreensível se este camarada não quisesse ter-me por perto... Mas que mesmo assim, dispõe de tempo para escrever um texto tão auspicioso (confesso que precisei consultar essa palavra no dicionário), que pincela com maestria incomparável, o verdadeiro significado da palavra amigo...
Obrigado por Tudo, Mario.


Pensamentos

Certo dia li em algum lugar que para um homem ser completo ele deveria, ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.
Por vários anos planejei tudo isso, e por vários anos fiquei cada vez mais frustrado comigo mesmo.
Afinal, havia plantado uma árvore que acabou não florescendo, e sempre tive medo de ter um filho e não conseguir dar a ele algo que achava ser importante ter em minha juventude.
O livro enfim, já gastei cadernos e folhas avulsas sem nunca criar nada que o contexto pudesse valer a pena ser lido por ninguém.
Passaram-se anos e acabei desistindo de escrever o livro.
Quanto ao filho, continuo com medo de concebê-lo.
E a árvore nada mais se tornou do que uma paisagem em minha memória.
Mas o mestre do universo, o Senhor tempo, acabou por me ensinar às duras penas lições que a maioria delas eu não teria escolhido viver.
Mas tudo muda, e eu não era uma exceção à regra afinal, então me concentrei nas coisas que achava que me fariam diferença.
Trabalhei como um louco, mas de forma errada, e fiz coisas que não me ajudaram em nada a crescer como pessoa.
Tornei-me egoísta.
Passava por cima de pessoas como um trator, e com isso só me tornei mais sozinho e amargo.
Mas o tempo, esse tempo, esses minutos que se transformam em horas e dias e que não percebemos que está acontecendo, me fizeram enxergar a verdadeira magia.
Aquela magia que encontramos ao levantarmos da cama e olhar o quadro na parede do quarto, ou seja lá o que quer que olhamos e não percebemos.
Seja a chuva que nos obriga correr para não nos molharmos, ou o sol que logo pela manhã já nos faz reclamar do calor.
Mas aprendi que a vida está presente todos os dias de nossas vidas mais do que a vemos.
E hoje quando levanto pela manhã procuro fazer isso com o coração, e meus abraços se tornaram tão fraternos que procuro passar sempre a melhor energia possível, mesmo que não esteja muito bem.
Pois o dia é longo e tenho sempre a certeza de que se não acordei bem é porque o dia tem tudo para melhorar mais tarde.
Aprendi que o filho que deveria ter, nada mais é do que uma ação que possa ser lembrada para sempre, ou a ajuda à alguém.
A minha árvore nada mais é do que uma boa formação do meu caráter, e que me trará maravilhosos frutos.
E meu livro não precisa estar no papel, mas na lembrança do mundo como um belo conto, onde desempenhei o papel principal e o de coadjuvante com direito ao oscar.
Aprendi enfim, que posso sim chorar, pois sou humano como qualquer outro, e aprendi que posso sim sorrir, pois a vida ensinou-me isso.
Sim existem anjos. E eles geralmente não nos guiam por caminhos fáceis.
Fazem que pulemos de grandes precipícios para que assim nos ensinem a voar, e acima de tudo, acreditar que podemos voar.
Aprendi que sorrir é mais fácil do que chorar, e ser feliz é uma questão de escolha, não algo que simplesmente acontece na nossa vida.
Aprendi a sorrir com as coisas mais bobas da vida, e a dar gargalhada com as dificuldades mesmo que às vezes elas pareçam intransponíveis.
Nossa vida nasce escrita pelas mãos do Criador, mas ele nos deu lápis e borracha para podermos reescrevê-la. E é preciso ser um bom autor.
Acredite em você, e depois se olhe no espelho.
Você vai ver que seus olhos brilham como as estrelas que iluminam o céu da humanidade. E perceberá que seus atos fazem parte de uma força onde, sempre como um círculo, o que parte de um princípio volta sempre ao seu início.
Então verá que o que se faz com disciplina e bom coração retornarão a você com a mesma força que a distribuiu.
Ser feliz é algo que buscamos todos os dias de forma irracional, mas se pararmos para escutar nosso coração e a canção que o universo toca para nossa alma a cada dia, talvez consigamos em um breve momento encontrar a paz que nosso espírito realmente busca.
Não sou um conhecedor da verdade, nem tampouco dos segredos do mundo, mas a cada suspiro que sai da minha alma, percebo que o mundo é e sempre será muito mais do que minha visão pode enxergar...  
Talvez algum dia ao me sentar para olhar o horizonte, trarei em minha alma a certeza de que os caminhos que percorri estavam corretos e então o sol poderá iluminar-me a alma de forma que possa enfim comungar com a verdadeira força que rege o universo.
E assim, poderei dizer ao mundo com toda a força que encontrei o verdadeiro sentido da vida.
Talvez isso seja devaneio de uma mente insana, que sonha e acredita em um mundo onde não existam mais diferenças de pessoas ou de crença. Onde existam pessoas que enxergam não com os olhos da face, mas sim com os olhos da alma.
Onde pessoas não achem que são expectadores, mas que passem a desempenhar o papel principal, pois como disse Francis Bacon (filósofo, político inglês e alquimista que fazia parte da Fraternidade Rosa-cruz) “Somente a Deus e aos anjos é dado este poder de só observar.”
Podemos escolher sermos marionetes do destino, ou podemos ser o controlador das cordas de nossa vida. Não precisamos ser o que o mundo nos obriga, mas podemos ser o que o mundo precisa.
Sim eu sei, é difícil. Lutar sempre contra a tirania dos outros, saber fugir da falsidade escondida em um sorriso ou um abraço.
Tentar entender enfim o porquê de tanto rancor, egoísmo, ganância desenfreada, ou seja lá os tantos outros artifícios que as pessoas possuem para magoar as outras e assim atingir seus objetivos. Realmente é difícil.
Segundo Lao Tse “o homem que conhece o outro é sábio, o que conhece a si próprio é iluminado”.
Às vezes me pergunto se conseguirei ao menos chegar ao patamar de sábio algum dia. As pessoas me surpreendem a cada dia, e como diz o ditado “morro e não vejo de tudo na vida”.
Penso às vezes em desistir de tentar entender, mas o que mais poderei fazer se desistir, se realmente abandonar as pessoas? Conseguiria enfim entender-me?
Acho que às vezes precisamos nos afastar dos outros e ouvir somente nosso coração, mas não dizer ao nosso coração o que queremos, mas ouvi-lo.
Quando conseguimos isso deixamos nossa alma em silêncio, e assim nosso coração realmente fala. E devemos ouvi-lo, pois ele é sábio, ele comunga com as forças que regem nossa vida.
Prefiro perder o que tenho em bens materiais ao invés de atirar-me aos escombros de uma vida sem guerra, sem batalha. Não serei pobre de espírito ao ponto de não aceitar a dor da derrota, mas sim, serei o guerreiro que irá emanar dos escombros com minha espada em riste e meu estandarte flagelado tremulando para que nações de tristeza vejam e admirem o que minha alma é capaz de conquistar. O Grande Arquiteto do Universo assim me moldou e tempestades jamais causarão a erosão da fraqueza em minha alma.
Ao final os fracos se ajoelharão perante Ele e pedirão perdão, mas aos guerreiros restará a glória de ver suas espadas e escudos estendidos ao chão em agradecimento pela vida que viveram.
A vida por vezes nos afasta das pessoas, faz com que consigamos magoa-las, ou por vezes deixa que sejamos magoados por elas.
Mas precisamos aprender com as lições que nos são impostas que às vezes as lágrimas que rolam por nossa face não querem realmente dizer que sofremos, mas que caminhamos por estradas que realmente deveríamos percorrer e ao final de nossa jornada poderemos nos sentar e contemplar o que nos foi importante.
E então iremos sorrir.
Acredito que a vida tenha vontade própria e ela não ministra seus ensinamentos de forma aleatória. Ela molda toda uma existência com paciência não compreendida por nós na maioria das vezes.
Então ela nos surpreende com acontecimentos inesperados, como o retorno de um grande amigo a muito afastado. Mas ela também fez seu trabalho de forma brilhante naquela vida e lhe oferece a recompensa ao lhe devolver um amigo que certamente fará com que você se lembre que todos os momentos realmente possuem sua própria magia.
Poderemos um dia nos distanciar novamente, mas o tempo já cumpriu seu papel de gravar estes pequenos momentos em minha existência e assim transforma-los em lembranças gratificantes que jamais me serão tomadas. 
A ti meu amigo Michel Soares. 
 Com carinho, respeito e fraterno abraço...
Mario Sergio Cetto

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

CAMPANHA ESQUEÇA UM LIVRO EM COLATINA


Sempre me senti um pouco deslocado por ser um amante de rock vivendo no meio de uma tribo apreciadora de sertanejo, forró, funk, pagode e afins... E quando o assunto é minha outra grande paixão, ou seja, os livros, então minha situação fica ainda mais desesperadora. Sinto-me como um ser improvável, que segue em queda livre rumo á extinção.
Certa vez, eu li uma matéria, não me lembro em qual site e tão pouco quem era o autor, na qual ele fazia um desabafo sobre o quanto é ridícula essa proliferação da ideia de que os brasileiros não gostam de ler. E ele sustentava sua tese mostrando alguns números que colheu através dos meios informativos; números otimistas que apontam considerável crescimento na demanda de livros e e-books, em nosso país, além do expressivo aumento de editoras e seus relacionados.
Quando li essa matéria fiquei um pouco envergonhado, porque eu mesmo sempre fiz parte dos que carregam a bandeira do pessimismo á cerca de nosso povo, mesmo porque eu não apenas me deparo com os baixos números, mas também presencio a falta de interesse coletiva pela literatura. Porque o cheiro da merda pode ser sentido numa breve busca pela verdade sobre o nosso desinteresse; que os brasileiros leem em média seis minutos por dia; que mais da metade dos brasileiros não leram nenhum livro nos últimos três meses; que 75% do nosso povo nunca entrou numa biblioteca (aqui em minha cidade tem gente que nem sabe onde ela fica); e para esta mesma nação, que ama futebol e adora pegar no pé dos nossos vizinhos hermanos, talvez estes recentes dados consiga, enfim, lhe tocar: existe mais livrarias na capital deles, Buenos Aires, do que em todo o nosso território nacional. E que a média de leitura dos nossos rivais por ano é mais que o dobro da nossa (4,6% livros por ano deles, contra 1,9% nossa). Uma goleada! Se fosse uma partida de futebol, a nação inteira estaria indignada.
Mesmo assim, eu disse á mim mesmo que, como nunca fiz nada para melhorar esse quadro, também não faria para piorá-lo ainda mais. Prometi que jamais escreveria um post que apontasse com meus dedos preguiçosos o quão ruim são as estatísticas sobre literatura no Brasil, aqui no blog.
Só que recentemente eu optei por quebrar minha promessa. Não porque quero contribuir com a proliferação da péssima realidade de nosso país; mudei de ideia, porque quero arregaçar as mangas e fazer algo, á começar pela minha cidade. Pensei em trazer para cá, a ideia que encontrei na Internet; um projeto bacana e que custa tão pouco, que considerei quase um pecado me recusar á contribuir. Chama-se “Campanha Esqueça um Livro”, que consiste no simples ato de deixar um livro esquecido em local público, para que um suposto leitor possa o encontrar e talvez adquirir o gosto pela leitura. Dentro deste livro, deixarei um breve recado impresso, explicando a situação para que o felizardo que o encontrou possa avaliar se quer ou não lê-lo, e caso não queira, que o deixe em local público para que outra pessoa tenha a mesma oportunidade de encontra-lo.
Uma ideia que de tão fácil, é simplesmente genial.
É a chance de apresentar este desconhecido universo linguístico; único que produz filosofia, ciência e literatura, capaz de ampliar o pensamento com mais profundidade acerca das realidades objetivas e subjetivas e, claro, fazer com que consigamos um bom emprego e ascendamos profissionalmente. Se ao menos eu conseguir introduzir um novo leitor com esta simples ideia, já terá valido á pena...

Espero num futuro bem próximo, poder vir aqui com um novo post para compartilhar os bons resultados dessa iniciativa.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

RESENHA DE LIVRO – Meu Sonho Contigo


Não é preciso o menor esforço para se perceber o quanto o personagem foco deste incrível trabalho literário (mas de nome duvidoso), intitulado “Meu Sonho Contigo”, é perspicaz. A autora, Nuala O’Faolain (esplêndida) conseguiu com maestria, exibir traços e personalidades de uma mulher de meia idade, bem-sucedida profissionalmente, mas que viveu sua vida inteira distante do amor. Seja este amor familiar ou afetivo. A profundidade narrativa que podemos encontrar e por que não, sentir, neste livro é tamanha, que por vezes ficamos com a sensação de que estarmos diante de uma biografia, em vez de um romance de ficção.

Kathleen de Burca é uma escritora irlandesa, bem sucedida e apaixonada pelo ofício. No entanto, a vida desta competente profissional, resume-se aos amigos do trabalho. E quando um deles vem á falecer – talvez o mais querido de todos – ela decide retornar á Irlanda e colocar em prática um antigo desejo: escrever um romance sobre um antigo caso de adultério, que abalou o país, no que seria uma mescla de fatos históricos e ficção. Para o leitor, seria algo como ler uma história dentro da outra.
É este o ponto que eu considerei inferior no livro. A autora (me refiro á Nuala) parece ter deixado toda a sensibilidade do texto, nas impecáveis narrativas de sua personagem, se esquecendo da história paralela contada pela mesma, o que acabou deixando estes instantes insossos e tediosos. Por sorte, esses momentos são pequenos no livro.

As passagens mágicas da escritora (agora me refiro á personagem, Kathleen de Burca), ficam á cargo dos relatos que ela faz das memórias de infância e de suas relações estremecidas com os familiares. A profundidade nas quais reminiscências são narradas é algo quase tangível. De um ser humano que trás á tona seu passado sem nenhum pudor ou vergonha; simplesmente mostrando a natureza humana em toda sua beleza e monstruosidade. Muitas das vezes, sem sequer haver uma explicação.
Em determinado momento, Kathleen finalmente descobre o que poderia ser o amor, mas até este também lhe é apresentado sem nenhum confete ou lacinho dourado. Apenas a crueza, que complica ainda mais sua vida, lhe obrigando á tomar difíceis decisões.

Não se engane com o título brega, “Meu Sonho Contigo” é um livro gostoso em sua força e profundidade. Que expõe sem nenhum romantismo, aquilo que poderia muito bem ser uma anônima aventura, vivida por mim ou por você. Uma jornada cujo encanto se revela nos detalhes mais simplistas, de um ser humano limitado e falho...

sábado, 4 de janeiro de 2014

RESENHA DE LIVRO – Felicidade Clandestina


Não sei se o meu maior pecado é ainda não ter nenhum livro de Clarice Lispector em minha modesta estante, ou se é o fato de eu ter levado tanto tempo para conhecer essa fantástica escritora, nascida na Republica Popular da Ucrânia, porém brasileiríssima (Clarice foi naturalizada; ela se declarava Pernambucana) para o nosso orgulho. Quando questionada sobre sua nacionalidade, ela costumava destilar a seguinte pérola: “Naquela terra eu literalmente jamais pisei; fui carregada no colo”. Declarava-se brasileira com altivez.

Como não poderia deixar de ser, no meio literário eu vivi vendo seu nome e ouvindo falar desta escritora, mas levei muitos anos para finalmente ler um livro de sua autoria. E enfim, minha remissão aconteceu com este delicioso “Felicidade Clandestina”, que nada mais é do que uma obra que reúne textos que podem ser classificados como “contos”, embora este não seja exatamente o termo abrangente, porque Felicidade Clandestina parece alternar seus gêneros; ás vezes nós nos pegamos lendo um conto, noutras encontramos algo mais próximo do que seria uma crônica (que são os meus preferidos).

O conteúdo da obra reúne vinte e cinco textos que tratam de temas diversos, alguns relatados de maneira corriqueira, como recordações da infância e juventude da autora (alguns textos são autobiográficos). Já outros trabalhos são um pouco mais complexos e ligados á questões da alma, pensamentos reflexivos e uma espécie de representação dos processos mentais de cada personagem. Conforme avançamos com a leitura, vamos encontrando uma obra mais introspectiva do que outra, coisa que somente os grandes gênios da literatura são capazes de realizar.

O mais impressionante dentro do mundo literário é que livros não envelhecem como geralmente ocorre com outras fontes de cultura. Este livro da Clarice foi lançado inicialmente em 1971, mas quando eu estava lendo, senti como se estivesse diante de algo recente; de textos que expressam situações cabíveis e absolutamente sensatas, mesmo para leitores deste longínquo ano de 2014, e que provavelmente assim continuarão sendo pelos próximos séculos que virão. Clarice Lispector escreve com um traçado moderno e jovial; como se ainda estivesse viva, e provavelmente ela ainda está... só que dentro do coração de seus leitores.

É graças á essa mágica dos livros que aos poucos eu posso me redimir dos meus pecados literários, e á cada dia, poder conhecer novos autores brilhantes, escondidos por entre infinitas prateleiras de bibliotecas ou nas imensas livrarias, pelo mundo afora.

Felicidade Clandestina é leitura obrigatória para os amantes de literatura em geral, e Clarice Lispector é sim, a mais engenhosa autora brasileira que já li até a data desta postagem.

sábado, 30 de novembro de 2013

RESENHA DE LIVRO – NO ESCURO



Uma história que narra a crueldade de um relacionamento abusivo; um homem que inicialmente é sinônimo de perfeição masculina e aos poucos muda completamente, ou mesmo se deixa exibir o seu lado neurótico e perverso; uma mulher traumatizada por conta dos maus tratos vividos nas mãos de uma mente doentia.
Provavelmente você já deve ter imaginado uma dúzia de filmes, novelas, livros, entre outros, que segue a linha narrativa citada acima. Pois estes são alguns dos ingredientes que foram combinados á exaustão pelas mídias. Mas a grande sacada da autora Elizabeth Haynes neste tenso “No Escuro” é a forma com que ela montou tudo isso. E convenhamos, na atual vastidão da indústria do entretenimento, é a reinvenção que se sobressai ao novo. Atualmente quase nada se cria; tudo se recria. E aqui a autora foi brilhante na condução e montagem do texto. Haynes nos apresenta sua história em curtos capítulos de diferentes épocas de sua personagem principal.

Deixe-me explicar melhor:
No Escuro conta a história de Catherine, uma mulher solteira, bem-sucedida, alegre e que gosta de curtir a vida, como qualquer jovem adulto descompromissado. Isso no passado, porque quatro anos depois ela é Cathy, uma mulher completamente insegura, neurótica, portadora de transtorno obsessivo-compulsivo, traumatizada por algo que lhe aconteceu no passado. E a trama segue em curtos capítulos, que se alternam entre passado e presente, para contar o que aconteceu e fez com que uma mulher saudável se transformasse numa criatura vulnerável e traumatizada. O leitor é levado do passado ao presente, e pouco-á-pouco vai entendendo o que aconteceu com a personagem, e o que está acontecendo agora. Uma sacada criativa, que deu consistência á um roteiro que não tinha nada de inédito.

Narrado em primeira pessoa, No Escuro consegue ser assustadoramente convincente. Ás vezes ficamos com a sensação de que estamos lendo uma matéria verídica de uma mulher que sofreu nas mãos de um namorado desequilibrado e violento. A linguagem é extremamente fácil e flui com total facilidade e compreensão.
É um livro que certamente agradará até ao mais exigente dos leitores. Não por acaso, Elizabeth Haynes tem sido apontada pela mídia como uma referência da era moderna na literatura.

Eu gostei muito. Tanto, que comprei o mais novo lançamento da autora. Recomendo esta pérola, principalmente aos leitores iniciantes, porque a linguagem é muito gostosa e fácil. Mas só leve este livro para casa, se você realmente não se importar de passar alguns tensos momentos... No Escuro.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

RESENHA DE LIVRO – A REMINISCÊNCIA OCULTA


Era o ano de 2007, eu havia começado minhas primeiras tentativas em escrever textos e contos, e estava completamente obcecado por transferir minhas ideias mais antigas para o papel, ou melhor, para o computador. Queria de alguma forma poder contar as histórias que estavam guardadas na minha mente, como se meu tempo de negação á elas estivesse me causando uma espécie de acúmulo de imaginação.
Eu precisava expor meus pensamentos. E escrever se tornou uma forma de exorcizar minhas manias, as raivas, minhas esquisitices... Enfim, eu queria contar o que sentia.
E entre diversos textos que escrevi de maneira quase que obstinada, um deles eu havia intitulado como “A Inocência Oculta”. Era a história de um rapaz que se muda para uma casa onde habita o fantasma de uma garotinha.
Levei mais ou menos um ano para finalizar o texto, que na época continha quase 400 páginas. E o simples ato de concluí-lo foi como uma vitória pessoal. Eu me senti realizado, pleno. Havia conseguido contar aquela história inteira e era como se um peso houvesse saído de minhas costas.
Mal sabia que naquele momento eu havia terminado apenas em torno de 1% de todo o trabalho que ainda estava por vir. Só que eu não sabia disso; tudo o que eu queria era ver aquela minha criação em sua versão física e inteira, escancarada orgulhosa entre meus dedos. Então fiz uma impressão do rascunho e mandei encadernar. E finalmente disse á mim mesmo:
“Bom, agora vou dar uma rápida lida, só para checar se ainda há algum erro ortográfico ou de concordância”. Imaginei que seria algo corriqueiro, apenas para averiguar que meu tesouro realmente estava reluzindo como eu achava.
E fiquei não menos que chocado com o que vi... Quase não reconheci meu próprio texto.
A primeira coisa que notei, e hoje sei como verdade, é que quando se começa a contar uma história, ela nunca segue a risca aquilo que se imaginou inicialmente. Ela acompanha á essência, porque quem está escrevendo sabe aonde quer chegar, mas o caminho é completamente desconhecido. É como se o próprio texto adquirisse vontade e seguisse seu rumo sem nenhuma certeza de onde irá chegar. Depois vi minha cara corar com os erros grotescos de gramática, de concordância e até mesmo de adequação aos detalhes do texto; alguns até bobos, como dizer que está chovendo e segundos depois afirmar que o sol estava radiante no céu. Os sustos que eu levava com meus equívocos eram tão grandes e intensos, que não foi preciso mais do que três páginas de releitura para que meu entusiasmo murchasse totalmente, se transformando numa ardilosa e acusadora baixa-estima.
Então os anos que se seguiram foram de uma luta constante por colocar a casa em ordem. Mudar capítulos inteiros; retirar frases insossas; inserir diálogos melhores e mais claros; aprender fazendo; elaborar ideias mais objetivas; tornar minha própria invenção mais bonita e enxuta.
Ah, e o melhor de todos os aprendizados: humildade.
Sim, meu texto não era aquilo que eu imaginava que fosse, mas o que precisei aprender na marra é que eu também não sou quem eu pensava. Sou um eterno aprendiz de literatura. E entendi que o ato de escrever para aliviar as ideias da mente é uma atividade que não se esgotaria jamais. Porque justamente isso que eu encarava como uma “atividade”, hoje eu vejo como um prazer. Escrever é algo que faço porque gosto. Não sei dizer se é bom ou ruim, mas foi a única coisa que fiz na vida e que me proporcionou uma deliciosa sensação de leveza; de paz de espírito.
E enquanto essa fonte não se esgotar eu continuarei escrevendo. Porque é isso que amo fazer.
Aquele texto de 2007 hoje se chama “A Reminiscência Oculta”, e é a primeira vez que estou expondo um trabalho meu para o público em geral. Não para obter apenas lucros, mas se ao menos uma única pessoa gostar, ou se pelo menos este e-book contribuir para instigar a leitura na vida de alguém, isso já será uma grande conquista.
E aos interessados e curiosos, segue abaixo o link para quem quiser obter este que é meu primeiro trabalho literário:
Espero de todo o coração que gostem. E me desculpem pelos erros e inconveniências ao longo do texto. Porque mesmo após todo empenho e dedicação que dispensei, estou ciente de que este jamais esteve sob os cuidados de um verdadeiro profissional.
E quero agradecer á minha esposa, Aline. Por toda ajuda e paciência ao longo desses anos.

sábado, 2 de novembro de 2013

RESENHA DE LIVRO – PORQUE VOCÊ É ASSIM


Este é mais um livro da série “Como As Pessoas Funcionam”, que a revista Superinteressante fez. E o título deste que acabo de ler chama-se “Porque Você é Assim”.
O livro foi escrito por Otavio Cohen, jornalista e repórter da revista que encabeçou este projeto, que além deste, também conta com os volumes “Amor” e “Ansiedade”.

O tema abordado aqui gira em torno do nosso comportamento e busca tentar entender porque somos como somos, exatamente como propõe o título deste volume. O autor vai em busca de conteúdo para tentar explicar porque você adquiriu algumas manias, as quais você mesmo já deve ter notado que não consegue se livrar. E como geralmente acontece com as matérias feitas pela revista Superinteressante, Otavio trabalha principalmente por intermédio das bases cientificas para rechear seu livro e tentar explicar alguns traços de nossa personalidade, assim como fazer-nos entender que algumas dessas manias comportamentais podem ser mudadas ou melhoradas.

Aqui encontramos conteúdos que vão desde timidez, indisciplina e otimismo, explorando até mesmo hábitos comuns do dia-dia, como falar mal dos outros. Tudo exposto numa linguagem simples e fácil, fazendo com que temas complexos se tornem uma leitura divertida.
Porque Você é Assim não é apenas, ou exatamente, um livro de autoajuda, mas é principalmente uma reportagem ampla e bem elaborada, que ajuda a mostrar com um pouco mais de clareza e percepção, aquilo que nós somos e a maneira como nos comportamos. Penso que a ideia deste livro foi um tanto apropriada, pois um assunto tão amplo e controverso, como o nosso comportamento inconstante, não caberia numa pequena matéria de revista. É leitura boa, rápida e, exatamente feita dentro dos ideais dos caras pro trás deste projeto, uma matéria superinteressante.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

RESENHA DE LIVRO – PIXU


Pelo fato de que meu blog sempre trata de resenhas de livros, achei melhor manter o título como está. Mas o caso é que Pixu é, na verdade, uma Graphic Novel, que descobri através de uma matéria que sugeria livros e revistas de terror. E por se tratar de um mundo no qual tenho pouquíssima intimidade, achei que seria legal verificar o que alguns doutores dos quadrinhos andam dizendo sobre este trabalho. Fiz sem maiores motivos, foi apenas no intuito de verificar se a impressão que tive ao final de minha leitura era recíproca.
E a opinião da grande maioria é que Pixu é um trabalho bem acima da média. Não por acaso, a revista ganhou o prêmio Eisner de melhor publicação independente. E parece que este é um feito grandioso no universo das HQs.
Pixu é uma história de terror que narra a vida de pessoas que vivem numa espécie de pensão. O clima da trama é obscuro e todos os personagens parecem igualmente com suas vidas em estado de decomposição; como se o inferno fosse coletivo e estivesse á tona. Mesmo o ambiente onde vivem é sinistro e assustador. Logo todo o local é tomado por uma estranha mancha, que como um vírus, vai tomando todos os andares do prédio, e este é o estopim que desencadeia numa série de acontecimentos sobrenaturais. Veja bem; Pixu é uma palavra que, de acordo com os autores, designa uma espécie de marca maligna, o que explica as manchas que aparecem na pensão e que antecedem o mal. Contudo, o roteiro é simples assim mesmo, e se eu disser mais uma só palavra, estarei contando tudo o que está por trás da trama que, aliás, é a coisa menos agradável da revista.
Os desenhos são impecavelmente bem feitos. De tal modo, que mesmo a escassez de diálogos no texto não é capaz de atrapalhar o segmento da história, além de abrir um leque para a imaginação de quem lê. Mas talvez essa falta em excesso, acabou deixando os personagens um pouco vazios e sem empatia.
De qualquer forma, acho que esta resenha não é coerente, nem funcionaria como sugestão á ninguém. Só o que posso dizer é que gostei de voltar á ler uma revista em quadrinho, coisa que não fazia há muito tempo. Tinha me esquecido do quanto é prazeroso poder ler com imagens. É uma ótima oportunidade para quem precisa de um empurrãozinho á mais na imaginação.

RESENHA DE LIVRO – A VOLTA DO PARAFUSO


Eu já havia lido em torno de quarenta páginas deste impressionante “A Volta do Parafuso”, quando percebi que meu senso de compreensão do texto estava literalmente “entrando em parafuso”. Então parei tudo e retomei a leitura desde o início, passando a manter um ritmo mais lento e ora fazendo pausas, para tentar discernir melhor cada capítulo. E isso não se deve apenas ao fato de que o texto possui uma linguagem formal, mas principalmente em razão de que essa era exatamente a proposta do escritor norte-americano Henry James: manter um clima misterioso e assustador ao longo da história. James constrói o texto com uma incrível habilidade em ocultar informações, deixando o leitor á cargo de sua própria imaginação. Em suma, o ponto de vista, que aqui é narrado em primeira pessoa, nos faz oscilar constantemente entre fantasia e realidade.
A melhor definição para a experiência de se ler este livro, é a de que simplesmente não há uma definição apropriada. A Volta do Parafuso é um livro de terror psicológico que não pode ser racionalmente compreendido. E acredito que este seja seu principal atributo.
A trama conta a história de uma Governanta contratada para cuidar de duas crianças órfãs, que vivem numa mansão situada no interior de uma Inglaterra da era Vitoriana. Elas foram deixadas sob a guarda legal de um Tio, que é quem contrata a Governanta. E as situações estranhas começam aí, quando a primeira exigência feita pelo Tio das crianças é a de que ele jamais deverá ser incomodado, em nenhuma hipótese. A história é narrada pela própria preceptora, que imediatamente se vê em meio á uma casa cheia de mistérios, assombrada por espectros que, segundo as convicções nada confiáveis da Governanta, estão interessados nas duas crianças. E as conclusões destes e de outros mistérios ficam á cargo do leitor.
O mais impressionante no livro é o clima psicológico assustador que o autor consegue manter por quase toda a história. Henry James se mostra completamente afiado na habilidade de deixar seus textos á cargo da interpretação de quem lê. Em todo momento da história não sabemos se a narradora está mesmo vivendo situações sobrenaturais ou se está somente imaginando coisas.
Uma obra de arte que instiga nossa reflexão. Recomendo!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

RESENHA DE LIVRO – BRIDA


Relutei muito antes de escrever a resenha deste livro, outra obra de um autor que aprendi a gostar na minha adolescência, e que aos poucos, venho tentando ler o restante dos títulos que ainda me faltam. E o maior motivo desta minha resistência se deve por um único motivo:
Eu não gostei desse livro.
O fato de eu já ter lido obras fantásticas de Paulo Coelho, fez com que eu adquirisse uma espécie de ânsia por encontrar novamente aquela satisfação provocada por histórias que são impecavelmente bem elaboradas e insinuantes, as quais eu não procuraria tanto se tivesse alguma dúvida quanto á capacidade criativa deste autor. Paulo Coelho já provou ser um escritor engenhoso na arte de contar histórias. Não é por acaso que ele se tornou um dos escritores brasileiros mais lidos mundo afora. E talvez seja a essência desse autor talentoso, o que realmente busco quando encontro nas livrarias, um livro que ainda não li de sua autoria.
Mas ter que vir aqui em meu blog dizer que “outro” livro de Paulo Coelho é ruim, é uma experiência estranha. É quase uma pena ter que fazê-lo. Logicamente isso não tem a menor importância, pois se trata da opinião deste leitor que vos escreve. E á julgar pelo que andei lendo na internet, eu faço parte da minoria que desagradou deste trabalho.
Não sei exatamente explicar os motivos, mas parece que neste Brida, o autor perde seu equilíbrio narrativo quando resolve exagerar na inserção dos elementos que ele deseja expor, no caso aqui, contar a história de uma mulher em busca de sua evolução espiritual por meio da Magia. A história rapidamente deixa de lado sua pretensão de conto, para tomar a forma de uma autoajuda cansativa e repetitiva, que logo escancara seu verdadeiro foco: o de exibir ensinamentos de feitiçarias e exotismos de forma desenfreada, e que á meu ver só agrada á quem se interessa pelo tema. A trajetória dos personagens é nada mais que mero pano de fundo para diálogos carregados de ensinamentos exagerados.
A história (aff!!), conta a jornada de uma jovem irlandesa, já conhecedora de alguns aspectos da Magia, mas que anseia por ampliar seus conhecimentos. Então ela vai em busca de mestres na arte pretendida, e dai pra frente é apenas relatos e mais relatos do que seriam as lições que Brida está aprendendo para se tornar uma grande Bruxa.
Sim, é uma pena afirmar que Brida é outro livro sonolento de Paulo Coelho. Tanto, que sinceramente não sei se continuarei procurando pelos demais trabalhos do autor, que ainda não li.

sábado, 28 de setembro de 2013

RESENHA DE LIVRO: Heroína & Rock N' Roll


Para viajar pelas páginas do livro que narra o diário de um ano devastador na vida de um astro do rock chamado Nikki Sixx, é preciso duas coisas: coragem e estômago forte. Porque todo o conteúdo deste trabalho é a nua e crua realidade de quem viveu á beira de um abismo profundo e perverso chamado Drogas.  Antes de lê-lo, o pouco que já tinha ouvido falar sobre o baixista e compositor do Motley Crue, foi suficiente para que eu o considerasse um completo idiota.

Opinião superficial á parte, inevitavelmente minha opinião pós-livro mudou. Sim, porque eu acabara de ler o diário de um homem que viveu constantemente dominado por seus vícios e através deles orquestrou sua própria decadência. Um cara que rumou desenfreadamente para o inferno, numa trilha tortuosa onde drogas, sexo e rock n’ roll ditavam o ritmo. Nikki Sixx foi á um extremo no qual qualquer ser-humano em sã consciência consideraria impossível chegar. Como ele mesmo afirmou; “Álcool, ácido e cocaína foram somente casos. Só quando conheci a heroína foi amor verdadeiro”.
Nikki Sixx não é o idiota que eu imaginava. Se em determinados momentos ele se comportava como tal, pelo menos seu livro me fez enxerga-lo de outra forma. Sixx é um sujeito que ostenta certo ar irônico, ás vezes é arrogante, teimoso e recluso. Principalmente quando estava sob os efeitos das drogas; ai a coisa descambava para o irracional. Mas há também o outro lado do homem falho, que talvez não tenha sabido lidar com a ostentação do sucesso, nem com os problemas que vivera na infância e provavelmente partiu disso a sua tentativa de refúgio por meios das drogas. Nikki é um baixista extremamente talentoso e um compositor competente. Além do fato de que provou ser corajoso ao expor sua verdade mais obscura e seu lado frágil e feio, ao lançar este livro. Nikki Sixx é um ser-humano que cai e se levanta como qualquer outro. Como geralmente acontece comigo ao ler biografias (embora aqui não se trate exatamente de uma), a maior lição que tirei desse livro foi a de não julgar nunca; principalmente sem antes ter alguma ideia daquilo em que se está apontando o dedo.
Obter esse livro foi realmente muito bom. E lê-lo foi uma experiência singular. Nunca procurei por algo sobre Nikki Sixx ou sua banda, o Motley Crue. De fato, eu encontrei esse livro da mesma forma como acontece quando não conheço a fonte: numa banca de promoções, em uma livraria qualquer, á um preço irresistível.
O visual do livro é arrasador; bem colorido, com fotos, gravuras legais e as passagens do diário foram feitas com uma escrita datilográfica bem bolada. Como se fossem as páginas do diário de Nikki Sixx, xerocadas para impressão. Durante as passagens do diário, há comentários de pessoas que estiveram próximas ao Motley Crue na época. Destaque para os comentários de certo guitarrista chamado Slash, que integrava uma banda que estava em início de carreira, o Guns N’ Roses.
Em determinado momento do livro, há um intervalo onde o próprio Nikki levanta uma questão que inevitavelmente invade e permanece constante na mente do leitor, já nas primeiras páginas:
Como esse cara ainda pode estar vivo?

Pois Nikki Sixx é um sobrevivente que retornou do inferno para nos contar sua experiência nada sóbria, de uma vida cheia de dependência e loucura. De um ser-humano que não conseguiu medir seu próprio limite. Mas que como poucos, soube sacudir a poeira e encontrar um caminho que o arrancasse do fundo do poço.
Uma leitura que não é fácil de ser digerida. Mas ler o livro de alguém que seguiu com a própria vida num limite inimaginável, é no mínimo curioso. Em minha humilde opinião, valeu muito á pena ter adquirido este relato incrível, que orgulhosamente está exposto em minha estante de livros.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

CRÔNICA: INESPERADA INSTROSPECÇÃO

Sentado no gramado sintético, ao lado de uma grande amiga, ouviu-se alguns acordes aleatórios de guitarra. Imediatamente quase todas as pessoas, que também descansavam pelo chão da Cidade do Rock, levantaram-se, inclusive esta amiga, todos os olhares de expectativas direcionados para o Palco Mundo. Pois eis que de forma quase despercebida, eu a puxei de volta ao seu lugar e falei:

– Calma. Não é assim que o Metallica começa seus Shows.

De fato, o que estava a se manifestar no palco, naquele exato instante, era alguns operários da equipe de produção afinando instrumentos. Ela voltou a se sentar e aguardamos pacientemente (talvez ela nem tanto), pelo início de “Ecstacy of Gold”, de Ennio Morricone; canção que se tornou marca registrada na abertura dos shows da banda. Só então nos levantamos e toda a euforia do rock teve início.

Menos a minha.

Naquele momento em que o Metallica pisou no palco, o delírio explodiu coletivamente no coração da massa roqueira. Vi uma sacolejante multidão saltar nas alturas, sob um ritmo frenético no qual James & Cia nos impôs, ao longo de quase duas horas e meia de show. Mas para minha surpresa, não consegui fazer absolutamente nada, além de cantar as músicas de maneira quase tímida e, em raras ocasiões, permiti-me alguns leves sacolejos de cabeça, talvez até desajeitados, como os de alguém que escuta o Metallica pela primeira vez.

Eu mesmo não me reconheci naquele momento.

Olhava para as luzes do palco; sentia arrepios quando ouvia o coro de mais de noventa mil pessoas cantando, juntas, as canções. Acordes que tanto quis um dia testemunhar com meus próprios olhos, braços erguidos para um céu escurecido que em alguns instantes era violado pelos holofotes hiperativos daquela edição do Rock In Rio..., os meus braços também se levantavam, às vezes, de maneira acanhada; munhequeiras em meus pulsos condiziam e me traziam a lembrança do lugar ansiado. Por perto, alguém olhou para o nome escrito em meu braço direito. Ele sorriu e acenou para mim, mostrou sua tattoo. Éramos fãs da mesma banda. Só que ele saia do chão, empolgado, completamente envolvido pela energia...

Enquanto eu era incapaz de me mover.

Nem parece que acabamos de ver o show da sua banda favorita”, comentou minha amiga, quando o espetáculo chegou ao fim. Olhava-me com seu rosto suado, porém, a expressão ainda intrigada com aquela inesperada introspecção.

Esse é o resumo da minha conduta nem um pouco previsível, durante o show que mais aguardei na vida. E a pergunta que inevitavelmente me faço desde então é: por que eu me senti tão deslocado?

Sim, eu adorei estar lá, perto dos veteranos que tocam as músicas que me acompanham desde a adolescência. Senti o termômetro da minha emoção subir a cada nota introdutória que anunciava outro clássico. Minha alma vibrou quando o coro em uníssono saiu da garganta da multidão e rasgou a noite do dia dezenove de setembro de 2013.

Mas aconteceu alguma coisa comigo, a qual ainda não sei explicar. E dizer que fiquei hipnotizado pelo espetáculo certamente soaria como uma esfarrapada retórica... Não foi isso.

A melhor explicação que tenho é não ter nenhuma resposta que esclareça minha melancolia. Estar completamente introspectivo diante do show que tanto aguardei, foi um ato inexplicável e imprevisto.

De qualquer forma, meu coração sabe que esteve lá. E aquele que foi o menos afetado pela delirante energia chamada Metallica, talvez fosse o mais apaixonado entres todos os loucos da cidade do rock... Um admirador silencioso, que intimidado por seu objeto de contemplação, só lhe restou aquiescer e escutar; satisfeito por simplesmente estar ali, feito víscera taciturna que compõe um todo pulsante... And Nothing Else Matters!