Esperarei para ler a conclusão, cheio de expectativas. Porque se há uma coisa que eu sei que posso fazer, sem nenhum receio, é retirar das livrarias os livros desse mestre chamado Markus Zusak, seguro de não estar levando porcaria pra casa.
Este é um espaço de reflexão e opinião de um improvável leitor... Ordinário em sua existência, às vezes transgressor em sua análise. Mas como eu disse, é apenas um espaço. E como tal, precisa ser eternamente preenchido...
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
RESENHA DE LIVRO – BOM DE BRIGA
Esperarei para ler a conclusão, cheio de expectativas. Porque se há uma coisa que eu sei que posso fazer, sem nenhum receio, é retirar das livrarias os livros desse mestre chamado Markus Zusak, seguro de não estar levando porcaria pra casa.
domingo, 27 de julho de 2014
CRÔNICA: A GERAÇÃO MIOJO
De repente, vemo-nos vitimados
pela aceleração do cotidiano e a espantosa urgência das coisas as quais se
apresentam diante de nós, como se as vinte e quatro horas dos dias houvessem se
tornado insuficientes para suprir os “inadiáveis” compromissos mundanos; fazer,
correr, cumprir, checar, intervir, enviar, saldar, entreter, usufruir, relacionar...
Mas espera um pouco aí; não
acordamos de um recente coma de vinte anos e, tão pouco somos inusitados
viajantes do tempo, enviados da década de cinquenta para ver como é o futuro.
Então por que a urgência do mundo contemporâneo nos soa como um equívoco
geracional?
Tudo bem que algumas mudanças
recentes tiveram considerável influência em nossas vidas, e estas fizeram com
que olhássemos com mais atenção para o determinismo da realidade em que estamos
inseridos, em que a contingência paira constante. Mas a grande inquietação talvez
seja a velocidade com que são exigidas as estas situações cotidianas, mesmo mais
banais, precisam ser resolvidas imediatamente. E o pior: atualmente, rapidez
parece ter se tornado sinônimo de eficiência. Não há mais tempo para
discernimentos, aliás, este texto já deveria ter acabado há séculos, não é
mesmo?
Afinal, pense comigo: você mal
acabou de comprar aquele “I-tudo”,
cheio de parafernália tecnológica recém lançado no mercado, e lá está o sistema
capitalista lançando um modelo fresquinho, que faz aquele seu avançado
aparelho, pareça algo obsoleto e ultrapassado, mesmo que essa percepção não corresponda
a uma realidade concreta.
Gerações passadas gostam de se
gabar sobre a ideia de que preparavam todas as coisas de modo minucioso, eram
mais dedicados, integrados e interessados em almoços de domingo em família; uma
atividade que perdurava ao longo de todo o feriado; encontro onde aproveitávamos
a ocasião para fazer algo considerado quase bestial nos dias atuais:
relacionar-se socialmente.
Será?
Hoje, no auge da demência urbana,
somos integrantes de famílias modernas, que se locomovem de suas casas aos
domingos para procurar por restaurantes que ofereçam uma realidade há muito
perdida por essa noção irracional de urgência: comida caseira. E de
preferência, que isso seja degustado dentro do próprio carro ou num recinto
propositalmente desconfortável para que não fiquemos ali por muito tempo.
Porque cliente que demora a se levantar gera prejuízo ao estabelecimento que
precisa lucrar com a alternância; ambientes que privilegiam a demanda em
detrimento do lazer.
Não estou comparando gerações
nem alegando que o passado era melhor. Mas se acha que estou exagerando, então
me diga: você levaria o seu carro num Lava-lerdo? Quando foi a última vez que você
acatou uma sugestão do tipo “Pare pra
pensar”? Parar e admirar então, vixe..., esqueça! Não temos mais tempo pra
isso.
O fato é que nossos
antepassados eram tão inadmissíveis quanto os somos. Mas é inegável que eles
tinham qualidades que estão se perdendo ao longo dos anos... E duas dessas
características em extinção é a paciência e o gosto pelo esforço. Creio que se
continuarmos desse modo, logo a sociedade não produzirá mais grandes pianistas,
escritores, pintores, entre outros..., funções cuja habilidade depende
fundamentalmente de paciência e perseverança.
Tanta urgência o tempo inteiro
nos tem feito perder o apreço pela qualidade. Interações consideradas
corriqueiras, como um bate-papo despretensioso se tornou algo impensado. Vi-me cercado
por essa falta, quando tentei interagir com outras pessoas neste mundo fugaz,
usando para isso, ambientes modernos de interação entre pessoas: as redes
sociais.
Funciona assim:
Cada indivíduo navega como se
estivesse olhando para uma esteira rolante, onde as opções, ou seja, os outros
navegantes passam rapidamente em seu perfil como se fossem mercadorias em
vitrines. Então o internauta tem vinte, talvez trinta segundos para avaliar o “conteúdo”
que se apresenta diante de si. E não perca muito mais do que isso, porque a
esteira não para e outras opções estão chegando velozmente. Poste tudo aquilo
que você faz de modo que todos que o visitem saibam que estão diante de uma
pessoa feliz..., ah, e não fale muito com ninguém para que não pensem que você
é um desocupado. Afinal, o ócio sempre foi visto como condição de gente
irresponsável.
E o que é mesmo essa coisa de
qualidade?
Ah, pro inferno com a
qualidade! Não dá tempo de pensar sobre isso. Aliás, pra quê você precisa de
qualidade se a esteira continua lotada de opções? Não importa o que apareça em
sua frente, olhe rápido e pegue o que lhe parecer auspicioso.
Seja veloz, ou logo algum
engraçadinho vai dizer bem na sua cara: “Eu
tenho isso e você ainda não tem. Portanto, sou melhor do que você”. Ou pior
ainda é se alguém perguntar: “você ainda
não tem aquele produto?”, olhando como se você fosse um débil-mental por
não ter adquirido algo tão óbvio.
Quer dizer que a atual geração
é superficial e vazia?
Não. De forma alguma! Afinal,
eu não sou nenhum velhote recalcado que aprendeu a usar o computador para destilar
veneno contra este planeta conectado... Eu também estou no meio dessa geração miojo. Mas sei que talvez tenha
vivido no tempo de transição dessas duas gerações, aparentemente distintas e
que não se apreciam. Pude ver os tempos de dedicação ao acabamento minucioso e
bem feito, sendo transformado na atual extroversão indispensável, talvez por influência
da industrialização.
A geração atual possui sim
grandes qualidades, mas como em qualquer outro tempo, não é tudo dessa atual
sociedade que devemos levar como exemplo. Nem sempre a velocidade é sinal de
serviço bem feito. Aliás, se não mudarmos nossos paradigmas, em muito breve a
criatividade estará perdida; a arte que preza pela paciência, que hoje tanto
irrita e nos deixa aflitos.
Não temos tempo para apreciar e
discernir, mas sim, apenas “curtir”. Não há espaço para uma boa conversa,
apenas uma breve e resumida xavecada, em tom de questão, daquele famoso jeito:
“já é ou já era?”, aparentemente tão questionável.
Recentemente li uma conversa
que vazou na internet entre dois jovens integrantes desta realidade acelerada,
no qual o rapaz (que devia ter mais ou menos dezesseis anos), para conseguir
levar uma garota (ainda mais jovem) para a cama, usou argumentos tão obscenos e
explícitos, que pensei se tratar de alguma brincadeira entre amigos. Mas no breve
fim das contas e para minha total estupefação, o rapaz conseguiu “ganhar a mina na lábia” e a levou para o
motel. A comprovação do sucesso do engajado sujeito se deu pelo fato de que a
história virou caso de polícia.
Boates e casas noturnas são
ambientes compostos de música absurdamente elevada, justamente para
desencorajar a tão ultrapassada abordagem verbal; aquela velha conversa nervosa
e tímida que precedia uma conquista. Esqueça! Ali não é lugar para conversar,
não dá tempo... Afinal, a esteira não para, não é mesmo?
Como dizia o grande Guimarães Rosa: “O animal satisfeito dorme”.
Parece que nos tornamos seres inconformados, escravos do acúmulo desenfreado e descerebrado. Portanto, não dormiremos nunca mais... Haja Lexotan.
RESENHA DE LIVRO – TEM ALGUÉM AÍ?
Uma coisa inusitada me ocorreu, conforme o avanço na leitura deste livro: certa familiaridade situacional entre mim e a personagem principal. Porque a grande temática á cerca deste “Tem Alguém Aí?”, outra esplêndida obra de Marian Keyes, é a busca pelo reencontro consigo mesmo; situação que desnuda o personagem desde o início da trama, até o seu comedido final.
sábado, 12 de julho de 2014
CRÔNICA: DIA MUNDIAL DO ROCK
Conseguir um lugarzinho dentro
de um ônibus coletivo em manhã de dia útil é basicamente o anseio que permeia a
mente de todo usuário deste tipo de transporte. Mas talvez tão ruim quanto passar
algum tempo em pé e espremido com outros trabalhadores, seja viajar sentado ao
lado de alguém que, portador de carência incontida, sustenta incontida necessidade
de conversar. E muitas vezes esse ato inesperado acontece no instante em que começava
nos fones de ouvido aquele som bacana que massagearia a exaustão do
pós-expediente. Desse modo, penando contra a própria vontade, vemo-nos
obrigados a desligar a música, para decifrar o que já estava a sair dos lábios
do malquisto, agraciando-nos com seus esquecíveis relatos, que se iniciaram antes
mesmo de termos a chance de interromper o som.
Esse episódio se repete com
certa frequência, e nunca, em nenhuma dessas infelizes ocasiões, eu fui
contemplado por considerável abordagem ou alguma reflexão produtiva; nem mesmo uma
notícia do mundo que realmente valesse à pena ser conversado... Nada.
Sempre são as mesmas
perguntinhas vazias e comentários insossos: “Trabalhando muito, cara?”, “Como
é que vai a vida?”, “E esse tempo maluco?” “Você tá sumido, hein...” “esses ônibus estão sempre atrasados”.
Abordagens as quais eu ofereceria todo o meu carinho, caso fosse um pouco mais
honesto: “Sim, estou trabalhando muito. Mas
seria melhor ainda estar no trabalho, do que conversando contigo”; “Sim, a vida
estava perfeita até você se sentar do meu lado”; “Não estou sumido não, mas
adoraria conseguir fazer isso agora”.
Provavelmente, se você tolerou
esse desabafo até aqui, deve estar me mapeando como um sujeito arrogante, chato
ou antissocial. Mas me permita justificar esta minha inevitável transgressão:
Por mais nebuloso que possa
parecer, o que você está lendo aqui, nada mais é do que um manifesto de devoção.
E quem ama, odeia ver seu instante de contato com o objeto amado sendo
bruscamente interrompido.
Sim, caro leitor. Pode parecer
piegas, mas eu amo as minhas músicas; ou como diz minha mãe: “aquelas suas músicas doidonas”. E quando
você se sentar ao meu lado, justamente no instante em que meus acalentos
auditivos estiverem rolando, saiba: só lhe darei atenção, porque ainda não
possuo singeleza o bastante para dizer em sua cara, que você acabou de
interromper um momento infinitamente mais prazeroso do que qualquer coisa que
você tenha a dizer. O zelo pela tolerância na convivência, infelizmente, não me
permite essa naturalidade.
Ter pouca ou nenhuma
inclinação para um bate-papo dentro do ônibus, algo moralmente impronunciável,
não me acomete por eu ser um rabugento intratável ou qualquer outra definição
que tenha lhe ocorrido na mente. Bom, talvez eu seja para algumas pessoas, mas
o que quero fomentar aqui é o quanto da frustração que sinto, pois costumo usar
o tempo de viagem do trabalho até em casa para curtir um tantinho dos prazeres
os quais não tive tempo de apreciar durante o expediente. E estes se resumem em
ler um livro ou ouvir um pouco de música. Portanto, a menos que as pessoas
tenham algo realmente interessante pra dizer, eu prefiro ficar com os meus
prazeres.
E há muito tempo que vivo um
caso de amor com o rock.
Em tempos passados, eu teria
afirmado que sou apenas um apaixonado. Sim, eu já fui acometido pela patologia
da paixão pela música. Mas atualmente o meu caso evoluiu para amor. E você se
perguntará: dado como exemplo a preferência musical, qual é a diferença entre
paixão e amor?
É muito simples: a diferença é
exatamente a mesma que ocorre quando nos relacionamos com uma pessoa. Ou seja,
quando estamos apaixonados, perdemos o senso, nos tornamos compulsivamente
irracionais e precisamos nos familiarizar de forma obcecada com o objeto de
nossa paixão. Já quando se ama nada disso precisa mais ocorrer. Porque quando
se ama, simplesmente se gosta. Não há espaço para deliberar sobre nada... Você
ama e ponto final. Qualquer reação, reclusão, inclusão, proximidade ou
afastamento, ocorrem automaticamente e na total ausência de conjecturar por
outra reação. Não há influência externa, apenas sentimento puro.
Darei um exemplo disso:
Quando era jovem, precisamente
no auge da adolescência, eu descobri o rock e me apaixonei. Foram tempos em que
eu precisava me afirmar, e para isso, tive que tomar algumas atitudes, as quais
hoje eu as entendo como um tanto obsessivas: precisava ter sempre alguma coisa
a dizer que parecesse legal aos ouvidos de outros “roqueiros”, para que não pensassem que sou um poser; comprava camisas das bandas mais famosas, mesmo que eu não
as conhecesse, porque isso fazia de mim alguém mais aceito pela tribo; temia
afirmar aos meus colegas algum apreço por aquela banda considerada ruim pela
maioria, simplesmente porque existem alguns amores que devem ser negados socialmente.
Naquele tempo de atos banais, eu era o egocêntrico que não sabia se gostava
mais de rock ou de ser aceito, só o que importava era me parecer com um roqueiro
nato. E me ultrajava quando não era reconhecido como tal.
Hoje a paixão morreu, dando
lugar ao puro e singelo amor. Não mais sinto nenhuma necessidade de ser
incluído ou aceito por grupos; só uso camisa de bandas as quais me identifico e,
por consequência, eu as quero homenagear. Ainda privilegio a cor preta, mas
hoje me visto pra mim e não para mostrar aos outros. Também aprendi que não dói
confessar que se gosta de ouvir aquela banda considerada careta por aqueles que
se dizem entendedores de música..., ah, e eu não sinto a menor vontade em
trocar ideias sobre minhas predileções musicais, até porque, hoje eu sei que
isso faz parte de nossa particularidade, e exatamente como é a clareza dessa
definição, particularidades não existem para ser entendidas por ninguém, além
de nós mesmos. Mesmo a definição de “roqueiro” se tornou uma adjetivação que me
incomoda, porque faz parecer que sou um ser limitado, um rótulo que reduz minha
existência.
Se este amor me tornou uma
pessoa melhor ou pior eu não sei dizer. Mas eu posso garantir que sou muito
mais feliz hoje, porque consegui tirar da minha consciência aquela neurótica
necessidade de estar sempre a caráter para que as pessoas saibam quem eu queria
ser.
Porque hoje este pacato
transgressor que vos escreve só quer ser ele mesmo.
Sou um amante de rock, Não um
roqueiro. E por isso continuarei odiando ter que desligar os fones de ouvido.
Não odeio você, meu caro companheiro diário dos transportes coletivos. Só o que
peço é que não julgue este confessor inconsequente. Porque eu sei muito bem que
você também ama coisas ou pessoas. E da mesma forma que eu, você também odeia
ter que se afastar de seu objeto amado.
sábado, 21 de junho de 2014
RESENHA DE LIVRO – A VINGANÇA VESTE PRADA
Dizem que o Diabo é um sujeito muito bom em orquestrar suas vinganças. Mas o “tinhoso”, segundo os ideais da autora Lauren Weisberger, parece ter perdido seus colhões. E nem mesmo as peripécias do maligno conseguiram dar um gás neste, que é a sequência do aclamado “O Diabo Veste Prada”.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
RESENHA DE LIVRO – O DIABO VESTE PRADA
Ser um amante de literatura por si já me torna uma pessoa um tanto singular, num país onde a maioria sustenta um total desprendimento cultural. E o que dizer de ser um homem que gosta de ler chick lit? (gênero literário moderno, destinado ao público feminino). Obviamente isso só acentua ainda mais a peculiaridade das preferências que me constituem.
Este “O Diabo Veste Prada” é um dos mais famosos livros do gênero citado acima, no qual duas pequenas particularidades me chamaram a atenção quando li: a pretensão da autora e a trama em si. Deixe-me tentar explicar:
Andrea Sachs é uma garota recém-saída da faculdade, e que arranja emprego de assistente da poderosa editora Miranda Priestly ( o diabo do título), na conceituada revista Runway. Pronto. A trama do livro é somente isso.
Gosto sempre de sustentar a ideia de que um livro vale pelo simples ato de ler. E o Diabo Veste Prada vai merecer os aplausos por sua dinâmica detalhista e simpática. Mas infelizmente é um livro esquecível, que é facilmente ofuscado por tantos outros melhores autores do mesmo gênero.
sábado, 19 de abril de 2014
RESENHA DE LIVRO – LEONARDO DA VINCI
Leonardo da Vinci foi um homem avançado demais para sua época. Essa é a conclusão a qual me convenço á cada novo livro que leio sobre a vida e o trabalho deste gênio da renascença.
Se Leonardo tivesse vivido nos dias de hoje, numa era moderna com imensos avanços tecnológicos e quantidades absurdas de recursos que praticamente vão ao infinito, certamente este homem teria criado coisas inimagináveis, mesmo para nós, viventes deste período abundante.
O livro possui um visual belíssimo, contendo imagens dos quadros de Leonardo, assim como trechos de suas complexas anotações. É um belo volume para se ter na estante. E melhor ainda é esmiuçar suas páginas e poder aprender um pouco mais sobre Da Vinci e sua inesgotável mente criativa.
segunda-feira, 24 de março de 2014
RESENHA DE LIVRO – O PODER DOS QUIETOS
A primeira coisa que chamou minha atenção quando eu retirei este livro das prateleiras e o segurei entre meus dedos, foi seu resoluto subtítulo: “Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar”. Imediatamente pensei se tratar de mais daquelas embromações, escrita por algum guru distinto, que trás lições elaboradas e incontestáveis de como ser feliz ou ter sucesso na vida. E embora eu desconfie desse tipo de fórmulas prontas, pensei que o livro seria legal, porque eu teria uma chance de me auto avaliar e ver o quanto havia conseguido evoluir naquilo que considerava o meu mais temeroso defeito: a timidez.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
RESENHA DE LIVRO – HOMEM CINDERELA
Existem poucas maneiras de fazer com que as histórias dos grandes nomes do boxe mundial cheguem até os ouvidos daquele que não se interessa em acompanhar o esporte (como no meu caso). E o cinema é um desses raros meios á parte. Foi através da sétima arte que eu ouvi falar, pela primeira vez, em James J. Braddock; campeão mundial dos pesos pesados e símbolo de superação neste esporte.
É uma história de superação incrível, que não perde o brilho mesmo diante da autenticidade dos fatos, o principal objetivo do autor. Uma bela história para os fãs de boxe, assim como é um surpreendente livro, para os amantes de literatura; exatamente como no meu caso.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
RESENHA DE LIVRO: O FATOR SORTE
sábado, 1 de fevereiro de 2014
HOMENAGEM: AMIZADE
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
CAMPANHA ESQUEÇA UM LIVRO EM COLATINA
Espero num futuro bem próximo, poder vir aqui com um novo post para compartilhar os bons resultados dessa iniciativa.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
RESENHA DE LIVRO – Meu Sonho Contigo
Não é preciso o menor esforço para se perceber o quanto o personagem foco deste incrível trabalho literário (mas de nome duvidoso), intitulado “Meu Sonho Contigo”, é perspicaz. A autora, Nuala O’Faolain (esplêndida) conseguiu com maestria, exibir traços e personalidades de uma mulher de meia idade, bem-sucedida profissionalmente, mas que viveu sua vida inteira distante do amor. Seja este amor familiar ou afetivo. A profundidade narrativa que podemos encontrar e por que não, sentir, neste livro é tamanha, que por vezes ficamos com a sensação de que estarmos diante de uma biografia, em vez de um romance de ficção.
Não se engane com o título brega, “Meu Sonho Contigo” é um livro gostoso em sua força e profundidade. Que expõe sem nenhum romantismo, aquilo que poderia muito bem ser uma anônima aventura, vivida por mim ou por você. Uma jornada cujo encanto se revela nos detalhes mais simplistas, de um ser humano limitado e falho...
sábado, 4 de janeiro de 2014
RESENHA DE LIVRO – Felicidade Clandestina
Não sei se o meu maior pecado é ainda não ter nenhum livro de Clarice Lispector em minha modesta estante, ou se é o fato de eu ter levado tanto tempo para conhecer essa fantástica escritora, nascida na Republica Popular da Ucrânia, porém brasileiríssima (Clarice foi naturalizada; ela se declarava Pernambucana) para o nosso orgulho. Quando questionada sobre sua nacionalidade, ela costumava destilar a seguinte pérola: “Naquela terra eu literalmente jamais pisei; fui carregada no colo”. Declarava-se brasileira com altivez.
Como não poderia deixar de ser, no meio literário eu vivi vendo seu nome e ouvindo falar desta escritora, mas levei muitos anos para finalmente ler um livro de sua autoria. E enfim, minha remissão aconteceu com este delicioso “Felicidade Clandestina”, que nada mais é do que uma obra que reúne textos que podem ser classificados como “contos”, embora este não seja exatamente o termo abrangente, porque Felicidade Clandestina parece alternar seus gêneros; ás vezes nós nos pegamos lendo um conto, noutras encontramos algo mais próximo do que seria uma crônica (que são os meus preferidos).
O conteúdo da obra reúne vinte e cinco textos que tratam de temas diversos, alguns relatados de maneira corriqueira, como recordações da infância e juventude da autora (alguns textos são autobiográficos). Já outros trabalhos são um pouco mais complexos e ligados á questões da alma, pensamentos reflexivos e uma espécie de representação dos processos mentais de cada personagem. Conforme avançamos com a leitura, vamos encontrando uma obra mais introspectiva do que outra, coisa que somente os grandes gênios da literatura são capazes de realizar.
O mais impressionante dentro do mundo literário é que livros não envelhecem como geralmente ocorre com outras fontes de cultura. Este livro da Clarice foi lançado inicialmente em 1971, mas quando eu estava lendo, senti como se estivesse diante de algo recente; de textos que expressam situações cabíveis e absolutamente sensatas, mesmo para leitores deste longínquo ano de 2014, e que provavelmente assim continuarão sendo pelos próximos séculos que virão. Clarice Lispector escreve com um traçado moderno e jovial; como se ainda estivesse viva, e provavelmente ela ainda está... só que dentro do coração de seus leitores.
É graças á essa mágica dos livros que aos poucos eu posso me redimir dos meus pecados literários, e á cada dia, poder conhecer novos autores brilhantes, escondidos por entre infinitas prateleiras de bibliotecas ou nas imensas livrarias, pelo mundo afora.
Felicidade Clandestina é leitura obrigatória para os amantes de literatura em geral, e Clarice Lispector é sim, a mais engenhosa autora brasileira que já li até a data desta postagem.















