sábado, 29 de setembro de 2012

RESENHA DE LIVRO - O Lírio e a Quimera - TOMO I - Mademoseille de Miry


Geralmente quando estou compondo uma resenha de livro, tenho o hábito de vasculhar na internet para conferir o que outros leitores acharam do livro. E curiosamente não encontrei nenhuma resenha deste livro impressionante do romancista Romaric S. Büel.
O Lírio e a Quimera – Tomo I  - Mademoiselle de Miry, é o início de uma trilogia que conta a saga de Marie Adelaide de Miry, futura baronesa de Santa Maria, e sua trajetória que destaca a aproximação entre a cultura e a história da França e do Brasil; O Lírio, que é o símbolo da França dos Orleans, e a Quimera (dragão), emblema da monarquia dos Bragança. Em uma Europa do século XIX, o autor nos revela as proezas desta jovem aristocrata francesa, através de uma narrativa vibrante, mostrando de maneira detalhista, um pouco do que foram os bastidores da nobreza europeia e brasileira.
É simplesmente uma vasta mistura de criados e nobres, reis e rainhas, artistas e comerciantes, burguesia e escravidão. Um prato cheio para os amantes de literatura e história. O autor é indiscutivelmente um conhecedor das artes e culturas, tanto brasileiras quanto europeias. Já o ritmo da trama oscila um pouco, deixando alguns momentos sonolentos, que nos faz pensar que eles estão no livro apenas com o propósito de “encher linguiça”. As coisas só começam a ficar intrigantes da metade em diante, e quando você se sentir completamente entorpecido pela leitura, eis que o tomo I acaba e você terá que, como eu, adquirir a segunda parte, intitulada A Imperatriz do Café.
Uma bela jogada de marketing. Mas que vale a pena, pois o livro é muito bom.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

CRÔNICA: ANTES LER DO QUE REMEDIAR



Ao chegar do trabalho e abrir a porta, eis que meus sapatos se deparam com uma costumeira pilha de correspondências. Não, eu não sou tão importante assim. A pilha em sua maioria era apenas as contas do mês, que nunca se esquecem de chegar.
No entanto, naquele fatídico fim de tarde, um dos envelopes me chamou a atenção. Ele era robusto, pesado e me recebia com um saudoso “Parabéns”. Curioso, me sentei no sofá, já completamente esperançoso de que finalmente a providencia divina se lembrou deste pobre sofredor, e me enviou boas novas... Afinal, meu nome estava no alto da correspondência, escancarado em negrito, e me dava os parabéns.
Restava saber pelo quê.
Ao abrir a carta encontro um belíssimo cartão magnético preso em uma folha onde havia meus dados impressos; um enorme encarte, que se desdobrava de forma super criativa, enfatizando o quanto eu era um homem de sorte e indicando todas as vantagens que eu acabara de receber; e por fim, um livreto sem-graça cujo título era: Termo de uso e Política de Privacidade.
Obviamente eu descartei o livreto e fui direto ás boas notícias conferir as vantagens da minha nova vida, agora que eu tinha em mãos, tão reluzente cartão magnético. E após uma rápida lida no encarte, que parecia tão empolgante quanto um convite para um réveillon em Paris, peguei o telefone, totalmente decidido, para discar o número de desbloqueio do cartão.
Mas foi nesse exato momento, com o telefone encostado no ouvido e a boca salivando de ansiedade, que me lembrei de uma matéria que havia lido recentemente em uma revista. E a matéria apontava justamente para a importância de se ler aquele livreto, o tal... Como era mesmo o nome? Ah, sim... Está aqui:
Termo de uso e Política de Privacidade.
Confesso que só me lembrei do título, porque o resgatei do chão, já com marcas de sola de sapato, mas graças, ainda ao alcance de minhas mãos...
A situação acima é algo que se repete quase que diariamente em minha vida: vivo concordando com qualquer espécie de cláusula e termos enigmáticos, sem saber dos mistérios que espreitam suas entrelinhas. Seja através de contratos bancários, financiamentos, ou mesmo um simples aplicativo para computador, nunca, em hipótese alguma, eu desperdiço alguns minutos do meu precioso tempo para entender um pouco mais dos direitos e deveres nos quais estou me submetendo. Afinal, você conhece alguém que perde tempo lendo contratos?
Pois o artigo que li mostrava alguns exemplos do quanto isso não é uma perda de tempo. Pelo contrário, em muitos casos, a perda de tempo virá depois, para cancelar este mesmo contrato com algumas empresas que infestam seus termos com cláusulas abusivas.
É o caso de um britânico, que teve alguns aplicativos deletados de seu tablete pela Microsoft, sem aviso prévio. O caso foi parar na justiça e a empresa provou que agia dentro dos termos. Estava tudo lá, em destaque em um dos primeiros parágrafos do contrato. Outro caso aconteceu com a Amazon, que em 2009 removeu livros do Kindle de alguns usuários, alegando irregularidades na publicação dos volumes.
No caso do meu “lindo” cartão magnético, e que aparentemente era só vantagens, eu me dispus a perder alguns minutos e desafiar páginas e mais páginas de um texto chato, de linguagem técnica e cheio de termos complexos, para descobrir que, a tal anuidade grátis para sempre, a qual o cartão oferecia em destaque, só me beneficiaria, se eu usasse o cartão todos os meses, rigorosamente. E que se eu deixasse de comprar num único mês dentro do ano corrente, a anuidade passaria a valer em sua totalidade. Um susto, que me fez devolver o fone ao gancho, contente pelos minutos desperdiçados, que me pouparam assinar um contrato abusivo, o qual me deixaria a mercê de uma empresa vigarista, que certamente aposta a eficácia de seus truques, na certeza de que seus usuários jamais perderão tempo, lendo contratos propositalmente feitos de modo complexo, com letras miúdas e cheios de interpretações duvidosas.
E a coisa é bem séria: em 2005, um sujeito resolveu ler um contrato. No meio das cláusulas, ele encontrou algo estranho – um prêmio de mil dólares. O cara entrou em contato com a empresa responsável, e recebeu o dito prêmio. O problema é que foram preciso 5 meses, e mais de três mil contratos assinados para que alguém  notasse a brincadeira, que tinha como propósito, certificar se os clientes daquela empresa estavam ou não, lendo o contrato de uso.
Nada mais óbvio: num mundo recheado de marketing comercial, promoções aparentemente irresistíveis, e gente tentando se dar bem, o negócio é: ler para entender do negócio... Ou não assinar nada com ninguém.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

RESENHA DE LIVRO – A MULHER DE PILATOS


Um personagem bíblico que é timidamente citado uma única vez na bíblia, provavelmente não haveria de ganhar muito assédio de historiadores. Mas a esposa de Pilatos, Claudia Prócula, venceu este tabu, e nas mãos da jornalista e biografa Antoinette May, ganhou, numa mescla de teoria e fundamentação, sua trajetória contada, que supostamente teve início no segundo ano do reinado do imperador Tibério – descrito como ano 16 da era comum.
Se levarmos em conta a história descrita no livro sagrado, Claudia é um personagem menos que coadjuvante, e em se tratando de uma mulher, certamente ela sofreu as consequências do prestígio escasso, dados ás damas de um tempo machista. Sim, mas estes são ingredientes que sempre despertaram a minha atenção de imediato: Adoro ler sobre as mulheres que viveram em tempos onde a masculinidade era uma prática cultuada e absolutista. Geralmente o especulativo retrato dessas damas é feito de forma brilhante, mostrando o quanto foram guerreiras e se sobressaíram, mesmo em condições submissas e muito distantes dos postos de liderança na humanidade.
Portanto, logicamente meu interesse neste livro era constante. E por ironia ou acaso, levei muitos anos para conseguir finalmente saboreá-lo.
Mas este A Mulher de Pilatos, que apesar de começar bem, acaba pecando no receio de arriscar. Uma vez que, se é para trabalhar em um personagem onde há apenas espaço para possíveis conjecturas, por que não ousar e inserir uma trama mais impactante? Ou se era apenas para descrever aquilo que o autor imaginava ter acontecido de fato com seu personagem alvo, por que igualar tanto a história ao mesmo rumo da bíblia?
Como eu disse anteriormente, o livro começa muito bem; Claudia é a narradora de sua própria história, e isso por si já se torna uma grande jogada, afinal, ler os relatos de um personagem bíblico é um feito luxuoso, embora ao mesmo tempo arriscado. E mesmo perante esse caminho tortuoso, Antoinette May se saiu muito bem. Os detalhes enriquecidos de inúmeras referências culturais da época são magistralmente narrados pela historiadora. E até mesmo características que foram inseridas á Claudia ficaram legais, como dons de vidência, fragilidade feminina, discrição e um constante impressionismo, que pairava em um tempo no qual reinava uma vasta cultura politeísta. Tudo isso foi por demais, pontos á favor da autora.
Contudo, Antoinette May logo se mostra intencionada á descambar tudo para o biblicismo. E toda a originalidade, e por que não dizer toda inspiração criativa, se torna uma verdadeira desculpa para uma entediante narrativa á cerca das já tão conhecidas passagens bíblicas que relatam os instantes finais de Jesus Cristo. As últimas páginas chegam á beira da exaustão (se você quer saber tudo o que acontece no final deste livro, leia um dos evangelhos da bíblia).
Não quero criticar a autora por ter inserido em seu livro os acontecimentos da história na bíblia, até porque isso de certa forma já era esperado, dado ao fato de que estamos falando de Claudia Prócula, mulher de um dos personagens mais polêmicos nas últimas horas de Cristo. O problema, em minha opinião, foi quando a autora transformou sua personagem numa espécie de locutora dos principais fatos e momentos finais de Jesus. É como se houvesse uma preocupação em retirar Claudia de sua condição de coadjuvante, dando á ela um posto de testemunha ocular com um pouco mais de notoriedade, algo que lhe foi negligenciado (ninguém sabe se propositalmente ou não) pelos autores da bíblia. Isso também não teria sido um problema, caso a autora tivesse mantido seu punho criativo, e contado tudo o que já sabemos, mas através de um ângulo de visão diferente, no caso aqui, em descrições pessoais de Claudia. Porém, no lugar disso o que a autora faz é inserir passagens dos feitos de Jesus, na maioria das vezes de maneira idêntica ao que é descrito na Bíblia.
De qualquer maneira, o livro vale pela ótima construção narrativa e pela viagem literal, cortesia do vasto conhecimento que a autora mostrou possuir sobre história antiga. É um livro mediano, que talvez ficou faltando uma pitada do charme de Dan Brown, ou um pouco da sensibilidade de Kathleen McGowan.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

RESENHA DE FILME: BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE



Dois aspectos eu considerava extremamente difíceis de serem alcançados por Christopher Nolan, em seu desfecho na trilogia do morcegão: elaborar uma trama tão bem amarrada quanto a do filme anterior; conseguir fazer com que o novo vilão tirasse de suas costas a responsabilidade (inevitável e impossível) de substituir o perfeito Coringa.
Nolan não chegou a falhar. Mas também não foi brilhante em nenhuma das duas coisas.
Mas, se de fato a missão de fazer o espectador desgrudar de uma vez a imagem do vilão de cicatrizes e terno roxo (magistralmente incarnado por Heath Legder) de suas memórias, era mesmo algo impossível, pelo menos uma boa trama não deveria ser um desafio assim tão complicado para um inovador como Nolan. E embora eu acredite que, em nada este terceiro filme conseguiu superar seu antecessor, sei que minha opinião talvez seja a minoria.
Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, é um ótimo filme. O diretor segue o clima sombrio dos dois primeiros longas (talvez este tenha se tornado um pouco mais artificial, porque agora temos naves e combates aéreos), e desta vez nos mostra Bane na telona, um vilão mais bruto e menos dissimulado, talvez para obrigar o herói á usar um pouco mais de testosterona, e menos o seu cérebro.  Uma boa ideia. Mas, mesmo que isso de fato tenha acontecido, o desfecho de Bane ficou um pouco insosso.
Já o filme começa com uma linha até interessante: Mostra um Bruce Wayne decadente, mergulhado em seus fantasmas do passado. E a queda do homem fez com que este, desistisse do herói.  Vemos também uma Gothan City que enaltece seu herói do passado, Harvey Dent, sob uma mentira na qual o comissário Gordon não aguenta mais carregar consigo. Então, eis que surge o terrorista mascarado Bane, e a cidade volta a se ver em perigo eminente (não sei o porquê dessa obsessão nos vilões de Batman em destruir a cidade. Parece que todos seguem uma mesma linha de raciocínio e não possuem interesses próprios... Mas tudo bem). E para completar a salada, também surge na história, uma ladra inescrupulosa e sexy, muito sexy, chamada Selina Kyle, a tão aguardada Mulher-Gato.
Sim, realmente parece um bocado de encrenca, e antes mesmo de chegar aos trinta minutos, eu já começava a suspeitar de coisas demais acontecendo, o que inevitavelmente é indício de correria para que o filme termine, e que todos os pepinos deixados ao longo do caminho sejam respondidos.
Dito e feito: da metade em diante, as coisas começam a acontecer muito rápidas, comprometendo um pouco na qualidade do roteiro.
No entanto, como motor de arranque, temos um batalhão de atores brilhantes para garantir a mesma construção narrativa charmosa dos dois filmes anteriores: Gary Oldman (o comissário Gordon), Morgan Freeman (como Lucius Fox), Michael Caine (o mordomo Alfred), Anne Hathaway (a irresistível Mulher Gato), Joseph Gordon Levitt (como um policial braço direito de Batman), Tom Hardy (como o vilão Bane), Marion Cotillard (como a milionária Miranda Tate), e é claro, Christian Bale (nosso inovador Batman).
Num resumo geral: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um filmaço, mas que o público terá dificuldades em lidar com a sombra da perfeição de seu antecessor de 2008, Batman – O Cavaleiro das Trevas.

sábado, 21 de julho de 2012

RESENHA DE LIVRO: O Rei da Noite


Indispensável para os amantes de literatura e recomendável aos aficionados por crônicas, este “O Rei da Noite” do escritor e cronista baiano João Ubaldo Ribeiro (dispensa apresentações), usa de uma beleza graciosa e inteligente para mostrarmos um pouco da temática do cotidiano das pessoas, o comportamento humano nas relações sociais, e um pouco da vida boemia. Tudo nos é apresentado de forma divertida e hilária, de acordo com inúmeras situações vividas pelo próprio autor.
Os diversos temas vão desde comportamentos sociais, padrões de beleza nacional, relações familiares, e até experiências no uso da alimentação macrobiótica. Difícil dizer quais os melhores textos. Eu, particularmente me identifiquei com o tema que aborda o sofrimento dos escritores ao aguardarem as tiragens das primeiras edições de seus livros, e as banalidades em forma de proza proporcionadas pelas tantas idas aos botecos afora.
A eficiência com que o autor consegue atrair a atenção do leitor para situações complexas do dia-dia é louvável. Mesmo temas estressantes como segurança pública, emprego, campanhas para prevenção á saúde, e o medo da família com relação ás drogas, tornam-se um deleite. Sem inibir nossas percepções sobre o tema, e ainda nos faz mergulhar em lembranças de fatos semelhantes, que aconteceram em nosso próprio cotidiano.
Recomendo.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

RESENHA DE FILME: O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA


O fator determinante que fez com que eu desse um pulo no cinema para conferir este “O Espetacular Homem-Aranha”, foi o trailer. Nele, vi três coisas que inicialmente despertaram meu interesse: efeitos especiais novos que permitiram ao herói exibir muito mais de seus malabarismos, coisa que ficou faltando no primeiro longa; o visual mais de moleque magricelo do Aranha, pois particularmente eu achava o Tobey Maguire acima do peso para os padrões esqueléticos do personagem; e por fim, eu teria a chance de ver o real início das aventuras do Aranha, pois este novo filme prometia “a historia nunca contada antes”.
Mas antes de relatar se realmente minhas três expectativas foram saciadas, permita-me ressaltar um detalhe importantíssimo:
O Espetacular Homem-Aranha” é um filme bom. Aliás, muito bom mesmo. É cheio de acertos e de erros como qualquer outro filme. Mas num conceito geral, o diretor Marc Webb não deixa a desejar.
Agora vamos aos fatos:
Os efeitos especiais estão divinos, e apesar da pequena diferença de tempo entre a antiga trilogia e este novo longa, eles parecem melhorados. Talvez não no sentido técnico da coisa, mas os efeitos foram melhores aproveitados, deixando o aranha exatamente como queríamos ver, e não vimos, no filme antigo: um aranha mirabolantemente espetacular;
O ator aqui é o não muito conhecido Andrew Garfield, que apesar de usar de um visual bem mais descolado (o cara anda até de skate pelos corredores da escola, coisa que não existe no desengonçado e “politicamente correto” Peter dos quadrinhos), ele deu ao personagem um ar mais moleque que ostenta a pouca responsabilidade de alguém que ainda está descobrindo o mundo.
Por fim, a suposta “história nunca contada antes” não foi exatamente de inteira veracidade.  Embora possamos ver aqui uma trama inicial girando em torno dos pais de Peter Parker, o filme logo muda seu rumo e as semelhanças com a produção de 2002 tornam-se desnecessariamente evidentes: Peter é picado por uma aranha; Tio Ben parte dessa para a melhor, em situação semelhante;  o aranha aprendendo tudo de novo... blá, blá, blá.
Contudo, mesmo sabendo que o passado do aracnídeo dispensa mais apresentações, aqui podemos ver sua primeira namorada, Gwen Stacy (muito bem interpretada por Emma Stone), algumas piadas e situações engraçadas, proporcionadas por um aranha bem mais divertido; e o Lagarto, um dos vilões mais conhecidos, aqui parece pouco aproveitado, uma vez que, nos quadrinhos a vida do monstrengo é bem mais complexa.
Por fim, “O Espetacular Homem-Aranha” é entretenimento de primeira e não decepciona. Porém, o que infelizmente irá incomodar um pouco, é a constante sensação de estarmos diante de um filme desnecessário, afinal, a trilogia do diretor Sam Raimi, que começou em 2002, ainda está muito fresca na memória dos fãs.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

CRÔNICA: DIA MUNDIAL DO ROCK


– Tô terminando de preparar um novo pedido agora. – disse a vendedora, com o olhar fixo na tela do laptop – você estava sumido, Michel.
– Pois é – respondi, enquanto vasculhava uma enorme fileira de camisas de rock, presas em cabides plásticos – Tive que fazer uma operação.
Em meio ás explicações pouco detalhadas á cerca de minha recente aventura cirúrgica, rolava, no interior da loja, um som ambiente de guitarra, de uma banda que não conheci em primeiro momento.
 – Mas, e quando chega esse seu novo pedido? – perguntei.
– Em uns dez dias.
– Vou aguardar então – já estava caminhando de encontro á saída da loja, quando uma súbita lembrança me fez fazer meia volta e retornar até o balcão onde estava a vendedora – por acaso você tem aquele DVD do show do Scorpions?
– Olha, não chegou nada de novo pra mim do Scorpions.
– Não. Eu não quero nada de novo mesmo. Estou procurando aquele show acústico, famoso do Scorpions, lembra?
– O acústica? – ela quer saber. Pela primeira vez, a vendedora havia desviado a atenção da tela em sua frente. Ela agora me olhava, com ar de curiosidade.
Balancei a cabeça, assentindo.
– Uai, Michel. Você ainda não conhece aquele DVD? – mesmo reagindo com certa desconfiança, ela foi até uma prateleira procurar pelo meu pedido.
– Não é pra mim.
– Ah, bom – disse ela, aparentemente aliviada com minha resposta. Como se fosse um pecado mortal comprar discos de clássicos populares.
– É para minha esposa – expliquei.
Enquanto ela fazia meu embrulho, eu pensei em tal situação. Estava há dias tentando encontrar um tema legal para desenvolver um texto bacana para postar no meu blog, em homenagem ao dia mundial do rock. E igualmente como mitologia grega, o rock é uma dimensão infinitamente ampla, portanto, minha mente vagava por entre Hendrix, Woodstock, Ozzy e Metallica... Mas não encontrava inspiração para escrever nada.
Absolutamente nada.
– Prontinho. – era a vendedora, com meu embrulho nas mãos – Sua esposa vai adorar.
E foi naquele exato momento, que consegui enxergar o óbvio, até então nebuloso aos meus olhos: O rock é um estranho sedutor, que chega sem precisar de convite. O rock é como uma garota mimada e egocêntrica, que quer toda sua atenção voltada para ela. E ele vai fazer qualquer coisa para hipnotiza-lo. Até que você se renda aos seus acordes psicodélicos.
Minha esposa havia se tornado uma verdadeira farejadora; mais uma escrava do preciosismo. Ela estava empenhada á meses em vasculhar meus CDs, MP3, DVDs... Enfim, todo o meu acervo de música e também a internet. E conforme ela descobria as maravilhas do mundo das guitarras, eu fazia meu papel de fornecer á ela, um pouco mais daquilo que ela havia descoberto em sua própria casa.
Atualmente ela anda amarradona: Scorpions, AC/DC, Rush, Hammerfall... E empenha-se árdua, e incansavelmente em sua constante busca por conhecer mais... cada vez mais. Quer comprar camisa; adquirir discos novos; bater cabeça ao som de Back in Black... Tudo parece novo para ela.
Essa é a verdadeira magia do Rock:
Aquele período em que ficamos entorpecidos porque descobrimos mais uma banda legal e não queremos desgrudar os ouvidos por nada;
Aquele momento precioso em que as melodias viscerais embalam as cabeças numa sincronia de cabelos esvoaçantes e perfeitas guitarras imaginárias;
 Aquele encontro com a geração 60, 70, 80 ou 90 que nos faz estarmos mais próximo daquilo que alguém um dia pensou se tratar da eternidade. Porque o Rock nos faz crer que, de fato, somos infinitos;
Aquele instante em que o refrão ecoa fortemente e nossa alma vêm pra fora, completamente desavergonhada, para gritar junto.
Aquele vício de quero mais. Como uma sede que jamais poderá ser saciada.
Foi então que eu me vi como ela: um mero descobridor do paraíso cênico e teatral dos arranjos e solos. Percebi que não era melhor ou mais evoluído. Não me vi como um dinossauro veterano. Nunca manjei rock mais do que ninguém, isso é bobagem...
Naquele momento, saindo da loja de artigos musicais, entendi que eu era apenas mais um aluno da escola de rock, exatamente como minha esposa havia se tornado. E que nossa faculdade será gratificantemente desenvolvida, até o fim de nossas vidas.
Viva o bom e eterno Rock n’ Roll!!!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

RESENHA DE LIVRO : ELAS – Mulheres que marcaram a humanidade


Uma eficiente homenagem á “Elas”, é o que você irá encontrar ao longo das 190 páginas deste trabalho da autora Lucia Pimentel Goés (brasileiríssima, para orgulho de nossa nação). E este apreço ás mulheres está aqui representado em forma de poesia, no qual a doçura da autora se funde aos tantos atos de heroísmo, paixão, amor e outros tantos sentimentos que fizeram destas mulheres especiais. É muito fácil encontrar semelhanças em algumas características das homenageadas no livro com as tantas avós, mães, irmãs, filhas, sobrinhas, netas, amigas, colegas, vizinhas, amores... tantas mulheres especiais, presentes em nosso dia-dia.
Cada uma das histórias, contadas de modo singular, destaca a trajetória de mulheres de nosso passado. Desde os tempos de Cleópatra até chegar á recente realidade de Irmã Dulce, a autora nos brinda com sensibilidade e riqueza literária. E um ponto interessante é que o nome da homenageada nunca é citado ao longo do texto. O trabalho aqui é de tamanha competência que isso não é necessário; a autora nos faz desvendar, em poucas páginas, a identidade da homenageada. Mas se caso você não descobrir de quem se trata, não se preocupe. No fim do livro há um índice contendo os nomes de cada uma dessas deusas da humanidade.
No mais, acho que só ficou faltando uma homenagem de Lucia Pimentel Goés á si mesma. Afinal, a autora já superou, merecidamente, a marca de cinco milhões de livros vendidos ao redor do globo, assim como obteve diversos prêmios de críticos de arte.
Elas – Mulheres que marcaram a humanidade é nada menos que Uma Homenagem merecida ás nossas mulheres. E um Instrumento de conhecimento para nós homens .

quinta-feira, 21 de junho de 2012

HOMENAGEM: METAL POÉTICO


A primeira vez em que eu ouvi o som da banda sueca DRACONIAN, foi como se o tempo e espaço tivessem estagnado.  Fiquei completamente entorpecido pela grandiosidade de sons arrastados, cheios de pesos atmosféricos e vocais que se alternavam entre rasgados e líricos.
Antes mesmo daquele dia, eu já tinha plena consciência da obscuridade, e porque não dizer, da melancolia, que é curtir um Gothic/Doom, estilo esse que o DRACONIAN apresenta em suas canções. Eu também tinha consciência de que pouquíssimas bandas dentro desse estilo haviam chamado minha atenção.
Mesmo assim, o som do DRACONIAN me fez parar. Como poucos fizeram até hoje.
E me apaixonei perdidamente, caros leitores...
Então, como costumo fazer com bandas que gosto, passei a “investigar” um pouco mais sobre a história, as influências, o estilo, e as raízes daqueles que fizeram com que eu finalmente apreciasse o Gothic/Doom, de um jeito que eu jamais havia pensado ser possível. E como também sou amante de literatura, disponibilizei um pouco do meu tempo para me dedicar á conhecer as composições dos caras... E o que vi só reforçou minha admiração pelo trabalho do DRACONIAN. Porque definitivamente o que a banda faz, é justamente introduzir guitarras pesadas em poesias...
Essa é a maior razão desta homenagem.
E você pode até não gostar do som do DRACONIAN. Mas se você é amante de literatura, como eu, terá que admitir que as letras dos caras, é conteúdo pra deixar muito poeta que se preze por ai, de queixo caído:
A Phantom Dissonance

The chorus of life has spoken;
Past has the child of reason.
Fading through winters' lonely passage
We crawl at the feet of evolution

Some became kings and some became gods
and the rest just followed,
swallowed their freedom and joined the charade
We did not realize we all had lost,
we locked the door and hid our shame
in this environment of fear
A hopeless scenario of apathy unleashed,
a dreadful travesty captured and revealed ...
Shown under a cloak of loud indifference,
where the human stain kisses the pestilence

Gather for life's final hour
Cold hands reaching for the fire

Some became wolves and some became sheep,
and eyes sown shut governed our frozen
perspective of the world
We did not realize we all had lost;
we locked the door and hid our shame
in this environment of fear

A phantom dissonance;
The quiet storm erupts the eminence...
of sickness born

A hopeless scenario of apathy unleashed,
a dreadful travesty captured and revealed...
Shown under a cloak of loud indifference,
where the human stain kisses the pestilence.
## (TRADUÇÃO) ##

Uma Dissonância Fantasma

O coro da vida foi dita;
O passado foi o filho da razão.
Desvanecendo pelas passagens dos solitários do inverno
Nós rastejamos aos pés da evolução

Alguns se tornaram reis e outros, deuses;
E o resto apenas seguiu,
Engoliram sua liberdade e juntaram-se à charada
Não demos conta que todos nós perdemos,
Trancamos a porta e escondemos nossa vergonha
Nesse meio ambiente do medo
Um cenário desesperançoso da apatia foi desencadeado,
Uma medonha caricatura foi capturada e revelada...
Mostrada sob um manto de ruidosa indiferença,
Onde máculas humanas beijam a peste

Se reúnem para a última hora da vida
Mãos geladas chegando para o fogo

Alguns tornaram-se lobos e outros, cordeiros,
E olhos tampados governaram nossa congelada
Perspectiva do mundo
Não demos conta que todos nós perdemos,
Trancamos a porta e escondemos nossa vergonha
Nesse meio ambiente do medo

Uma dissonância fantasma;
A tempestade silenciosa irrompe a iminência...
Da doença recém-nascida

Um cenário desesperançoso da apatia foi desencadeado,
Uma medonha caricatura foi capturada e revelada...
Mostrada sob um manto de ruidosa indiferença,
Onde máculas humanas beijam a peste.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

RESENHA DE LIVRO - A BRUXA DE PORTOBELLO


Se minha primeira incursão num livro de Paulo Coelho fosse este “A Bruxa de Portobello”, provavelmente eu teria adquirido certa desconfiança, e não continuaria lendo os trabalhos do cara. Não que o livro seja ruim, mas está bem longe de trabalhos maravilhosos como “O Alquimista”, “Veronica Decide Morrer” e “Onze Minutos”. Digamos que este esteja perto de algo mediano e esquecível.
A trama, contada em forma de depoimentos por outros personagens, mostra a história de Sherine Khalil, também conhecida como Athena. Abandonada pela mãe, ela é adotada por um casal libanês que se muda para Londres, nos anos 70. Ao longo da história, ela se torna popular como líder de uma seita pagã, que busca o êxtase através da dança. Achei a ideia de contar uma história através de testemunhos original e inovadora. Algumas inclusive até convencem. O problema é quando o autor descamba para frases piegas e trechos que parecem terem sido tirados de um livro de autoajuda. Quanto ao desfecho, penso que ficou um pouco rápido e suspenso. Como se o autor, na falta de algo melhor, tivesse improvisado alguma coisa qualquer.
No geral, acho que a mensagem que Paulo Coelho tentou passar, ao longo de suas 294 páginas, foi a de uma espécie de pseudofeminismo sobre a restituição de uma deusa mãe, reprimida pelas grandes religiões da humanidade. O que não teria sido ruim, caso a coisa fosse menos clichê.
Logicamente em se tratando de Paulo Coelho, as opiniões, em geral, podem variar muito. Eu particularmente, se colocasse todos os livros que li do autor numa balança, o resultado ainda estaria inclinando para a alcunha de bom autor. De qualquer forma, “A Bruxa de Portobello” ainda vale pela leitura, pelos bons momentos narrados por algumas testemunhas, e é claro, pelo próprio Paulo Coelho.
Contudo, para você que ainda vai iniciar sua jornada através dos trabalhos do autor, meu conselho é não começar por aqui. Prefira algo mais perto do auge do cara. E se me permite uma sugestão, comece com “O Alquimista” ou “O Demônio e a Senhorita Pryn”.

sábado, 26 de maio de 2012

METALLICA – ALL THAT MATTERS



Um Livro; um passado que foi dos megashows aos tribunais, e de lá para a reabilitação definitiva; e a melhor banda de rock do mundo... Uma mistura mais que perfeita! E essa combinação finalmente chegou aqui, nessa terrinha dominada pelo funk e o sertanojo...
Trata-se do novo livro do jornalista Paul Stenning (o cara já escreveu biografias de bandas importantes como Iron Maiden, AC/DC e Guns N’ Roses), intitulado Metallica – All That Matters. Uma homenagem mais que merecidas á banda que alcançou três décadas de existência, com mais de 140 milhões de discos vendidos e nove prêmios Grammy.
O livro conta um pouco de como foi a ascensão definitiva, desvenda detalhes do passado, e revela os altos e baixos da banda mais importante do planeta. Recheado de entrevistas inéditas de amigos esquecidos, fãs e até de ex-amantes, o autor disseca tudo e nos entrega o mais completo e revelador book já feito sobre a trajetória dos caras... Era o ingrediente que faltava para os fãs do Metallica desta, e de gerações passadas.
O meu exemplar já está praticamente no gatilho. Com certeza irei apreciá-lo ao som de The Unforgiven e Master of Puppets... Because, after this amazing book, Nothing else Matters!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

RESENHA DE FILME – OS VINGADORES



Adoro quando estou cheio de pessimismo e acabo quebrando a cara. Foi exatamente o que aconteceu comigo ao sair da sessão de “Os Vingadores”, porque simplesmente adorei o filme do começo ao fim. Sim, pois eu já estava cansado de megaproduções cheias de efeitos especiais desnecessários, explosões pra todos os lados, personagens descerebrados e nenhum sinal de roteiro. Este era o pensamento inicial quando resolvi dar mais uma chance aos filmões pipoca e encarar a aventura do gigante verde e sua turma.
O roteiro era minha (e talvez até da coletividade em geral) principal suspeita. Eu explico: primeiro deve-se levar em conta o que já falei: megaproduções como essa dificilmente ganham um bom roteiro. Os produtores parecem mais preocupados apenas com efeitos visuais, a destruição bem elaborada de uma grande cidade, geralmente Nova York, e os personagens exibindo seus superpoderes na telona de forma irrelevante e sem sentido.
O segundo possível problema seria adequar um bom roteiro á elevada quantidade de personagens importantes, ou seja, uma dor de cabeça na qual Hollywood parece querer evitar á todo custo.  Imaginei que encontraria na tela a velha faceta hollywoodiana, que prefere desenvolver roteiros no qual um vilãozinho qualquer surge no pedaço, com intenções de eliminar a humanidade. Aí os heróis se reúnem (sem mais delongas) para acabar com a raça do infeliz. Pronto, temos um filme! Mais fácil que preparar macarrão instantâneo.
Mas para meu espanto, o longa tem história. Não é nada grandioso, é claro, mas convence, coloca os heróis em situações que fazem sentido, e não deixa ninguém de fora da brincadeira.
Na trama, Loki (Tom Hiddleston), que é irmão de Thor (Chris Hemsworth), planeja invadir a terra com a ajuda de uma raça alienígena, para dominar os seres humanos. Com a promessa de que será o soberano da Terra, ele rouba o cubo mágico de dentro da S.H.I.E.L.D., e com isso adquire poderes especiais. Para combater o mal, Nick Fury (Samuel L. Jackson) convoca um grupo de pessoas com habilidades extraordinárias. Grupo no qual jamais havia trabalhado junto antes, o que gera desavenças entre alguns integrantes.
Além do Thor, o time também conta com o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), responsável pelas cenas hilárias; Capitão América (Chris Evans), o filme foi tão bom que até desse herói, que sempre considerei sem-graça, eu gostei; Hulk (Mark Ruffalo), finalmente encontraram um rosto legal para o gigante esmeralda; Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), seguro no papel e mandando umas flechadas legais; Viúva Negra (Scarlett Johansson), única integrante feminina e responsável pela beleza da equipe.
Cheio de bons diálogos, personagens envolventes e cenas de ação muito bem feitas e de tirar o fôlego, “Os Vingadores” entra no topo dos melhores filmes de ação estilo super-heróis já feitos pelo cinema. E para aqueles, que como eu, foram amantes dos quadrinhos na adolescência, aguardem sentados pelo final dos créditos; há uma breve cena que antecede a continuação do filme, e que mostra um personagem, digamos, bem peculiar...

terça-feira, 22 de maio de 2012

RESENHA DE LIVRO - A MENINA QUE NÃO SABIA LER


Foi por um triz que não abandonei este “A menina que não sabia ler”, de John Harding. Sim, porque achei as primeiras páginas um verdadeiro tédio, o que me fez pensar nos reais motivos que me levaram a comprar o livro: poderia ter sido a bela capa, algo tão fundamental quando o propósito é atrair o leito; ou talvez a semelhança do título com o livro “A Menina que Roubava Livros” (em minha opinião isso foi uma bela estratégia de marketing aqui no Brasil, uma vez que, o livro de Markus Zusak foi, e ainda é, um sucesso mundial. Entretanto, na maioria dos países onde o livro de John Harding foi traduzido, ele ficou com o título original: “Florence & Giles”). De qualquer forma, o inicio da aventura da pequena Florence e seu irmão Giles, não agrada á Gregos e Troianos.
Mas a trama melhora, e antes que eu cometesse o “pecado” de descartá-lo, eis que “A Menina que Não Sabia Ler” supera minhas expectativas se tornando uma leitura intrigante, envolvente e sedutora.
A história se passa no século XIX, onde os irmãos órfãos Florence e Giles estão sob a guarda de um tio ausente. Ambos vivem como crianças normais, brincando e perambulando pelos cômodos da misteriosa e decadente mansão Blithe. Até que Florence acaba descobrindo o caminho para a enorme biblioteca da casa, fato que faz com que a pequena assuma os riscos da desobediência e comece, por conta própria, a descobrir as maravilhas de ler.
É a partir deste momento que começa uma série de acontecimentos pelos quais não sabemos se são de fato reais ou apenas frutos da imaginação criativa de uma menina. Em determinado momento da história não é mais possível concluir o que é realidade e o que é fantasia. Aparentemente as coisas parecem confusas e o texto segue com seu mistério até o final, deixando o leitor com aquela sensação de que: ou pegamos no sono em determinado ponto crucial do texto, ou a coisa se misturou tanto que é preciso uma releitura para constatar que não deixamos algum paragrafo revelador passar despercebido (confesso que tive que voltar algumas páginas perto do fim, para ler novamente).
Bom ou ruim, acho que fica á critério de quem leu. Mas como gosto da diversidade de opiniões, deixo aqui a minha em poucas palavras: “A Menina que Não Sabia Ler” vai de ruim á excelente ao longo de suas 282 páginas. E o que mais me incomodou no final, foram as inúmeras questões impostas pelo autor durante a trama, e não respondidas no desfecho. Talvez fosse esse o real propósito de John Harding: deixar as respostas á cargo do leitor. Exatamente como diz a personagem principal, Florence, no primeiro parágrafo da história:
“É uma história curiosa a que tenho de contar, uma história de difícil absorção e entendimento...”.
Boa leitura!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

MATÉRIA: A VERDADE SOBRE A PUTA



Todos nós sabemos que a palavra “puta” está associada á uma terrível ofensa. O que não sabíamos é que isso é coisa que acontece aqui no Brasil, e não se sabe ao certo de onde surgiu a conotação que assemelha o termo “puta” á bagageira, biscate ou meretriz. Ou mesmo em determinados assuntos, onde “puta” serve para enfatizar algo intenso ou extraordinário: “Que puta falta de sorte”; "Puta que o pariu!!".
Mas descobri que a palavra é originária do latim: “puta” significa “poda”, e “putta” significa nada mais do que “menina”. É interessante quando aprendemos que um substantivo feminino tão paradoxal, é na verdade sinônimo de ingenuidade e pureza.
Na língua italiana antiga, que possui enorme influência do latim, “putta” também significa “menina”.  No português europeu, “puto” é um “menino pequeno”. Enquanto na Espanha há um dito popular sobre uma deusa chamada Puta, que nada mais é do que uma divindade agrícola. Nos dias da poda, as sacerdotisas exerciam uma espécie de aviltamento sagrado em honra á deusa. Talvez daí tenha surgido a inversão do termo.
De qualquer forma, a premissa vale pela curiosa informação. E para você mulher, lembre-se deste texto na próxima vez em que se sentir ofendida ou ficar "puta da vida" com uma palavra agressiva, na qual o insultante provavelmente não faz a menor ideia do seu real significado.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

MATÉRIA: CIDADES FANTASMAS


Recentemente li uma matéria sobre lugares assombrados ao redor do mundo, e um dos casos particularmente me fascinou. Trata-se da cidade de Bhangarh – India. Dizem no Rajasthan, onde ficam as ruínas, que o lugar é amaldiçoado. Isso talvez explicasse o fato de que Bhangarh é o único sitio arqueológico da Índia que não tem um escritório do governo. Simplesmente não há funcionários dispostos á trabalhar lá. E mais: as autoridades tiveram o trabalho de deixar um aviso nas proximidades do local, orientando os visitantes para que somente entrem nas ruínas de Bhangarh após o nascer do sol, e saiam antes do mesmo se pôr.
 Estima-se que a cidade tenha sido fundada no século 17 e abandonada cerca de 150 anos mais tarde. Desde então proliferam os boatos sobre fantasmas, aparições e outros fenômenos sobrenaturais.

Ao longo de algumas pesquisas que fiz na internet, constatei que existem várias teorias e lendas á cerca da possível maldição que reina na cidade, assim como o desaparecimento de toda sua população. Mas quase todas as versões narram a história de um bruxo que teria se apaixonado por uma princesa chamada Ratnawati. Depois de algumas frustrações amorosas (são muitas as versões sobre o suposto fracasso amoroso), o tal bruxo lançou sobre o reino de Bhangarh uma terrível maldição. E após sua morte a cidade teria sido saqueada e destruída por conta de guerras contra reinos vizinhos, nunca mais sendo habitada novamente.
Os mais supersticiosos rezam que qualquer pessoa que se atreva á aproximar-se das ruínas durante a noite, nunca mais retorna...
Tai uma excelente dica pra quem ainda não sabe onde passar as próximas férias.

RESENHA DE LIVRO – Resistência


O que dizer do livro de Agnès Humbert, além de apontar toda a intensidade e engajamento da autora? Penso que a dificuldade em avaliar se da ao fato de que este livro nada mais é do que o diário da própria Agnès, escrito durante a ocupação da França pelo exército nazista durante segunda guerra. A impressão que temos é de estar lendo não apenas mais um livro de história da guerra, mas sim, um verdadeiro documentário á cerca da resistência humana, de pessoas que, expostas ao limite do impensável, sobreviveram corajosamente ás atrocidades do holocausto.
Conforme conta seu diário, Agnès juntamente com seus colegas do Museu do Homem em Paris iniciam um dos primeiros movimentos de resistência francesa, que foi o jornal Résistance. Mas a coisa acaba dando errado e o grupo vai parar nas mãos da Gestapo. Fato consumado, Agnès é deportada para a Alemanha e submetida á trabalhos forçados como prisioneira.
É claro que, como se trata de um diário, a autora não tinha como relatar em seu diário, durante o período em que esteve presa. Contudo, assim que fora libertada Agnès se dedicou á registrar tudo que estava em sua memória, dando continuidade ao seu trabalho. Outra questão interessante e curiosa é o fato de os homens da Gestapo não terem conseguido pôr as mãos no diário, uma vez que, obviamente a casa de Agnès Humbert fora minuciosamente revistada quando ela foi presa.
Defino o livro como sendo o trabalho magnífico, de uma mulher motivada pela vontade de eternizar e fazer com que suas memórias não sejam esquecidas jamais. Mesmo após tantos anos nos quais o tempo é sem dúvida um inimigo implacável. Exatamente como diz um dos membros da resistência no livro:
“Que se faça justiça á nossa lembrança após a guerra, é o que basta. Além disso, nossos companheiros do Museu do Homem não nos esquecerão.”


domingo, 22 de abril de 2012

RESENHA DE FILME – FÚRIA DE TITÃS 2


Em se tratando de mitologia grega, um mundo tão rico e vasto, é simplesmente inaceitável que uma produção que se arrisque dentro do tema não saiba aproveitar e tirar bons roteiros. E foi exatamente o que os produtores deste Fúria de Titãs 2 conseguiram: a incrível façanha de entregar ao público uma mitologia grega chata e descerebrada. E os caras se superaram, porque esta continuação consegue (podem acreditar) ser pior do que sua antecessora.
Havia um bom orçamento para o projeto? Com certeza sim, porque as sequencias mirabolantes de efeitos especiais estão lá para provar isso, desde os primeiros minutos de filme.
Havia bons atores? Deixe-me ver: um diretor que pode contar com um elenco que tem Liam Neeson, Ralph Fiennes e Sam Worthington (este último tem sido o atual favorito de Hollywood para mega produções), precisa aprender a aproveitar melhor os talentos que possui á sua disposição.
Havia uma distribuidora descente? Apenas um nome em resposta: Warner.
O que certamente não existia era o interesse em fazer um bom filme, mas sim, a intenção de ganhar dinheiro. Li alguns críticos afirmarem que os efeitos 3D ficaram exatamente como o resto do filme: uma merda!
Como não há uma trama, vou falar do que aparece na telona: Tentando levar uma vida simples de pescador, o semideus e destruidor do Kraken, Perseu (San Worthington), se vê novamente tendo que evitar as confusões sem sentido, protagonizadas pelos deuses do Olimpo. Hades (Ralph Fiennes) e Ares (Edgar Ramirez) fazem um acordo com Kronos para capturar Zeus (Liam Neeson). Cabe ao bravo Perseu, ajudado por outras divindades, ir a socorro de seu pai.
 O filme, como já disse, não tem roteiro, é muito óbvio e cheio de atuações sem um pingo de emoção. E quando aparecem algumas criaturas legais e até bem construídas pelos efeitos especiais, a coisa toda parece que começa e acaba num piscar de olhos. É como assistir á uma bola de boliche que derruba todos os pinos em questão de segundos e sem cerimônia.
Certamente nada disso está sendo um problema para a Warner e seus produtores. Uma vez que, os preços inescrupulosos dos ingressos para as sessões 3D certamente estão garantindo os lucros. E caso esses mesmos lucros consigam alcançar o tamanho do Kronos, certamente seremos enganados em breve com mais uma sequencia. E fazer algo pior será, de fato, o grande desafio. Uma vez que, fazer um filme melhor do que esse é coisinha para amador.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

RESENHA MUSICAL: SOULFLY – ENSLAVED


Recentemente a revista Lithium Magazine publicou uma entrevista com Max Cavalera. E como o Soulfly está de álbum novo, deixei aqui um pouco do que foi o bate-papo com o cara:
Lithium Magazine: Você gravou algumas das músicas mais pesadas durante todo este tempo. Você se preocupa com seus fãs, que sempre acham que seu melhor material veio há mais de vinte anos atrás?
Max: Eu realmente não me preocupo com nada disso. Para mim, estou muito feliz com o que faço. Eu realmente não gosto de comparar as coisas. O que foi feito naquela época é diferente de agora. Estou orgulhoso do que fiz anos atrás, mas também estou orgulhoso do que eu estou fazendo agora. É algo particular, dependendo da forma como você se sinta. O importante é continuar e manter a motivação e continuar gravando discos, até você ficar velho e não pode mais fazer isso.
Lithium Magazine: Você sempre ouve os discos antigos então?
Max: As vezes eu pesquiso as músicas para tocar ao vivo. Estamos pensando em tocar coisas do primeiro EP do Sepultura. "Bestial Devastation" foi feito não sei quantos anos atrás, e estamos pensando em tocar uma música deste EP na nossa nova turnê. Então, eu quero voltar para a diversão, colocá-lo no meu iPod e apenas ouvir as músicas novamente. Eu começo a lembrar da gravação e as vezes tínhamos que pegar o material antigo. Foi muito divertido. Normalmente, eu só ouço músicas de outras pessoas.
Lithium Magazine: Você tem algum plano para "Enslaved" - algo que queria tentar e fazer com que ele se destaque mais em comparação com os últimos sete álbuns do Soulfly?
Max: Eu queria fazer um disco realmente extremo. Eu tenho uma banda muito boa, com a chance de trabalhar com Tony (Campos, baixista) e David (Kinkade, bateria). David é um baterista de death metal e ele pode tocar alguns graves muito legais como double bass e blast beats. Ele trouxe um som mais real e mais death metal para o álbum. Eu remodelei o álbum em torno desta idéia que eu tinha de fazer um registro de death metal que soasse sem ser satânico. Tem letras sobre escravidão e política, são temas interessantes. Eu acho que está bem original. Está bem extremo, eu acho que é o registro mais extremo do Soulfly até hoje. Dos oito álbuns do Soulfly, este é o mais extremo e mais brutal. Eu estou feliz com isso. Eu acho que é legal poder fazer este tipo de álbum, com ele sendo o oitavo disco e quinze anos de carreira, estamos comemorando isso. Este é um grande momento para nós, e "Enslaved" é um grande disco para nós entrarmos em turnê agora.
(Fonte: whiplash.net)